Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

Vasco Santos Loureiro um ídolo da columbofilia Nacional

Bom dia caríssimos amigos. Estamos super empolgados para escrever este artigo. Fomos até Valado de Frades no distrito de Leiria ao encontro de Vasco Santos Loureiro, um grande homem na vida e na columbofilia, nascido a 8 de Outubro de 1937, dedicou a maior parte da sua historia à columbofilia. Levámos uma lição de humildade e saber estar que vamos procurar reter o máximo possível os ensinamentos que recebemos. O nosso entrevistado andou na escola até aos 9 anos, no dia seguinte foi dar serventia a pedreiro durante dois anos, depois foi trabalhar para um armazém de mercearias, entretanto passa a caixeiro viajante em substituição do superior que se aposentou. Aos 18 anos nova mudança na sua vida, o ordenado não passava do mesmo e ruma com a ajuda de seu irmão para um armazém onde permanece quase 2 anos… altura que é aliciado com um ordenado superior para voltar ao primeiro armazém… permanece vários anos, sai depois de ter ai sociedade, mas o caminho escolhido pelos sócios não era o certo aos olhos do amigo Vasco e volta a procurar solução laboral… reforma se com 63 anos não sem antes passar pela Spal onde laborou mais de 20 Invernos. Com tantos anos a trabalhar para orientar a sua vida, situação financeira e familiar, ainda conseguiu ser um dos maiores entusiastas nacionais na columbofilia. Fique connosco nesta leitura e conheça um dos grandes da nossa praça…

As suas primeiras anilhas foram de 1959

Com 22 anos de idade foi convidado para assistir a algumas chegadas de pombos, e incentivado por parte do sr. Vítor Moreira a receber alguns pombos para levar para casa, mas nessa altura obter o consentimento da sua mãe não era nada fácil. O que é facto é que o gosto inicial por esse contacto com os pombos, foi tal, que insistiu e levou alguns casais. Fez um pequeno pombal à sua maneira e teve a feliz sorte de no primeiro concurso que fizeram de Faro ganhou o 1º prémio… comunicou à sua mãe tal feito: “O Pirata ganhou o primeiro hoje” … sua mãe pediu para ver pombo… e já na sua presença, beijou o craque inúmeras vezes… a partir dai foi a sua maior ajudante… Tinha uma relação próxima com a sua progenitora, ficou com 5 anos de idade a viver com ela e mais 3 irmãos já sem o seu pai. Foi mãe e grande companheira… nunca mais acabaram os pombos lá em casa. Os primeiro contacto com uma coletividade foi na Nazaré onde se foi inscrever com alguns amigos oriundos, todos de Valado de Frades.

Continua diariamente a cuidar do seu pombal e dos seus pombos, 85 primaveras.

Residentes em Valado de Frades, mas sócios na Nazarense. Começa a formar se um núcleo de columbofilos em numero superior aos amadores da Nazaré. Houve uma votação e a sede mudou para Valado, ai permaneceu cerca de dois anos… na Nazaré com o aumento de numero de praticantes e sócios não praticantes, devolvem de forma autocrata a sede ao seu principio. A Associação columbófila do Distrito de Leiria sabendo do desenlace pede à coletividade a relação dos Corpos gerentes, esta informação tinha que ser passada pelos diretores empossados no caso Vasco Loureiro que era o presidente que tinha a documentação legal, em como os corpos sociais não tinham mudado. Foi tirada uma copia da ata e foi enviado à associação. Foi um período complicado, a associação pedia os dados e eles não chegavam por parte da Nazaré, chegaram ao ponto que Vasco Loureiro é intimado pela GNR solicitado pelo professor Ribeiro de Sousa, presidente da associação na época, para ele prestar testemunho sobre os factos ocorridos. Chegando ao seu contacto e percebendo finalmente do que se tratava, em 15 minutos foi buscar José Bento Marques e José Jordão Varela, também eles diretores da coletividade que explicaram todos os factos e esclareceram a Associação. O professor acabou por pedir desculpas por estar a incomoda-los e para alem disso estabelece a partir desse dia uma relação de proximidade. É Fundada nesta altura a coletividade de Valado de Frades, por imposição da realidade.

Continua a classificar muito bem ano após ano.

Começa se a relacionar com Vasco Oliveira, Raul Oliveira e António Alfredo das Caldas da Rainha, e mais alguns amigos. Começou a receber convites para ir a exposições e em pouco tempo estava a fazer exame para Juiz classificador, esse exame realizou se numa exposição Nacional, tinha ele 26 anos de idade. O examinador foi um senhor Belga que veio a Portugal a convite da federação. Depois fez formação e consagrou se juiz nacional. Classificou em inúmeras exposições nacionais. Viajou pelo mundo durante a sua vida, umas vezes ao serviço da Federação e tantas outras de forma pessoal, conheceu a realidade alem fronteiras, só nunca classificou numa exposição internacional, chegou foi a ser representante internacional do Brasil. Varias vezes acompanhou em trabalho, Gaspar vila Nova e o professor Branco: Manchester, Canárias, Holanda, Itália, Palma de Maiorca… enfim … um mundo de viagens… relembra apesar dos seu 85 anos nomes de amigos como Lusitano Espinhal e tantos outros que faziam parte deste núcleo.

Fez grande amizades, ainda hoje recorda e homenageia Gaspar Vila Nova, acompanhou em conjunto com a sua esposa os seus últimos dias com proximidade e amizade, o seu amigo de luta e convívio também. Durante o dia da nossa entrevista muitas foram as frases que retemos com encanto, mas uma delas superou todas as demais, e se percebemos bem foi proferida por Gaspar Vila Nova e praticado uma vida inteira por Vasco Loureiro: “se eu chamo alguém de amigo .. trato-o como tal … ou então não o chamo…

Pessoalmente sai de Valado de Frades mais rico, ao despedir me de tamanha personalidade, emocionei me e agradeci efusivamente o dia especial que tivemos. Também teci algumas palavras antes de partir: sem sombra de duvidas que o entrevistador até pensava que já tinha feito alguma coisa pela columbofilia, mas depois de conhecer Vasco Loureiro desta forma, acho que precisaria de duas vidas para fazer metade do que este homem fez e pelo que representa na columbofilia nacional. Na viagem de regresso ao distrito de Setúbal corriam lágrimas dos olhos pela emoção vivida.

Dentro do refugio de Vasco Loureiro, espaço apelidado pelo próprio de “Bunker”, existe uma panóplia de documentação inacreditável. São recordações de quase 60 anos ao serviço de uma nobre causa, são troféus de carreira, agradecimentos das mais variadas entidades, são troféus desportivos representativo de grandes conquistas. É digno visitar esta sala e ter a possibilidade de manusear alguns dos documentos ai arquivados.

Vasco Oliveira um dos Fundadores do Clube de Fundo do centro

Um clube que recebia columbofilos do distrito de Santarém e de Leiria, Vasco Loureiro esteve também na origem da formação do grupo de competição formado pelos Columbófilos de Valado de Frades, Peniche e Caldas da Rainha, com ele foram fundadores: Vasco Oliveira, Raul Oliveira e o professor Ribeiro de Sousa, era um clube à parte, só se inscrevia quem queria, sobreviveu cerca de 10 anos. Uma vida preenchida, um homem envolvido em muitos projetos e sempre com um espírito construtivo, sem o ouvirmos falar mal fosse do que fosse. Tomou as rédeas a algumas vendas totais de colónias de grandes columbofilos, ainda no tempo que as vendas totais eram realmente totais, sem saírem os melhores pombos antes de serem publicas, mas isso dá muito trabalho e é preciso “tê los no sitio” porque é sempre uma tentação. Não para o nosso entrevistado que pautou o seu percurso pela retidão e hombridade. Foi chamado também para orientar contas e coletividades com dificuldades. Pudemos ver documentação que está arquivada no seu “Bunker” como lhe costuma chamar, documentos que são historia de como com transparência e trabalho se podem levar clubes no bom caminho… tudo discriminado parcela por parcela e apresentado aos sócios frequentemente… assim é trabalho.

Há uma historia interessante para contar sobre a venda total da Colónia do Mário, filho de José Jordão Varela, uma colónia pequena mas na altura a melhor da zona, um homem que já concorria só com fêmeas. Com o falecimento do columbofilo, os seus pombos são oferecidos a Vasco Loureiro, que não aceitou, disse à família que iria ao pombal, fazia a relação de todos os pombos, entregava essa relação e sem sair sequer uma pena de lá seria feito um leilão por si organizado, onde todos, mas todos os atletas eram postos em venda… era um valor enorme que a consciência não permitia aceitar aquela dádiva. Falou com o seu amigo Galrão e foi colocado um papelinho dentro de cada saca de ração a dizer a data e o local onde se iria realizar o leilão da bendita colónia e assim foi… realizou nesse dia 3 367 contos, depois das despesas com a publicidade no Mundo Columbófilo e a revista Columbofilia, com a tipografia e o almoço para quem ajudou a fazer o leilão, foram entregues a família 2910,01. Houve varias tentativas para serem comprados pombos anteriormente, ao dia marcado, mas isso nunca aconteceu. O evento teve lugar na coletividade das Caldas da Rainha, recebendo a mesma para o efeito 10 % da verba total.

Sem duvida que não é normal cruzarmos o nosso caminho com pessoas tão empenhadas e concentradas a fazer o bem como é o caso de Vasco loureiro, mas depois também não passa despercebido o facto de termos um percurso assim demarcado. As homenagens e reconhecimentos têm sido uma constante nos últimos anos. Uma homenagem feita pela associação ao Vasco, com mais de 50 anos de atividade ininterrupta, uma proposta realizada para a Federação que em Viana do Castelo na Exposição Nacional fez a respetiva concretização. O Mundo Columbófilo também já oportunamente contou a sua historia e fez a respetiva menção honrosa por tamanha dedicação e empenho à evolução da columbofilia.

Uma das facetas que ainda não falamos foi precisamente o trabalho levado a cabo por este homem para a modernização da Columbofilia em geral e em particular na credibilização e evolução das classificações ao nível dos clubes mas também de associação. Hoje em dia quando pensamos em competição, pensamos em portais nacionais, computadores, entradas eletrónicas, classificações online, algumas realizadas na hora da chegada dos pombos, enfim uma panóplia de ferramentas que a modernidade nos trouxe, mas nem sempre foi assim. Lembram se quando as classificações eram feitas, pombo a pombo, pombal a pombal?… Júlio Bandeira era do concelho técnico da Federação Portuguesa de Columbofilia, ensinou Vasco Loureiro a fazer as coordenadas à mão com maquina de calcular para a raiz quadrada, e este fazia praticamente metade do distrito semanalmente, tarefa que lhe levava os serões, mas nem por isso dava má cara à sua vida.

No meio de muito trabalho laboral e outro tanto em prol da columbofilia, ainda foi possível fazer excelentes campanhas, aperfeiçoou a viuvez desde cedo, experimentou muitas formas de jogar e agora nos últimos anos, chegou à conclusão que os pombos classificam bem quando passam a semana juntos, pese embora, não tenham grande liberdade para desgastarem energia, mas permanecem perto uns dos outros e depois no regresso de concursos podem usufruir do seu ninho em conjunto com os parceiros.

Os pombais encontram se imaculados, quer o de competição como o de reprodutores, poucos pombos, para poder dar as melhores condições a cada um deles e apesar de idade avançada do columbófilo, diariamente é o amigo Vasco que faz as limpezas e cuida dos seus meninos. O ambiente no pombal é tranquilo, os pombos parecem meigos e gostar do dono.

Voltando ao dirigismo. A sede da sociedade Asas Valadendes, que é um edifício ímpar, com excelentes condições, com um rés do chão com duas salas mais pequenas, uma delas da direção, uma segunda do concelho desportivo e uma sala maior onde acontecem os encestamentos. O acesso ao exterior é ótimo e a saída de carros para a estrada também. No primeiro andar tem um bar e um espaço enorme onde acontecem as festividades e convívios. Vasco Loureiro tem muito a ver com esta construção. Teve de fazer algo que nunca contou nem lhe agradou, que foi fazer parte do elenco da câmara municipal da Nazaré e depois na Junta de Freguesia do Valado. A condição para a cedência do terreno estava intimamente ligada ao facto do sr. Vasco fazer parte destas listas, foram dois mandatos… hoje em dia o terreno está em nome da coletividade por 40 anos renováveis. Depois para a verba da construção da casa, a estratégia foi outra… durante vários anos, o dinheiro atribuído para prémios de campanha, por comum acordo, não era entregue aos sócios e era canalizado para a compra de materiais para a construção do edifício.

Na coletividade desempenhou todos os cargos possíveis, e durante varias décadas. Na associação Columbófila do Distrito de Leiria entra com o Professor Ribeiro de Sousa que era presidente da direção. O professor era uma figura ímpar no distrito de Leiria, foi um dos primeiros a fazer a viuvez e foi um columbofilo diferenciado durante muitos anos, os adversários já não sabiam o que fazer, até diziam que fazia batota, tal era a diferença de competitividade, começaram a vigiar as suas chegadas e tal não era o espanto que quando o visitaram de surpresa ainda fez uma fita melhor, com a chegada de 11 pombos juntos para ganhar o primeiro prémio. Nesta altura a associação distrital funcionava da seguinte maneira, como não tinha sede social própria, juntavam se grupos nas coletividades e cada grupo fazia um mandato, utilizando a sua própria sede. A associação nunca tinha dinheiro próprio, porque se houvesse algum lucro, estava atribuído à coletividade que albergava o ano corrente. O sr. Vasco depois de alguns mandatos sai dos corpos sociais da Associação e volta mais tarde numa altura que a sede associativa já estava feita. Trabalha com António Pedro Inês, Vítor Ferreira etc etc… arranjaram o camião de soltas, junto de Fernando Caetano que estava na associação do Porto na Altura… nesta altura da sua vida entra numa espiral e dinâmica que muito contribuiu para a evolução da columbofilia no seu distrito… desta vez foram mais alguns mandatos a juntar ao seu portfólio.

Para a Federação Portuguesa de Columbofilia, entra na altura que é convidado por Vasco e Raul Oliveira para integrar a equipa de Juízes Classificadores, começa a classificar pombos e quando a Federação vai de Lisboa para Coimbra, levada por Gaspar Vila Nova, decorre um primeiro mandato do presidente e ao segundo mandato indicado ao Gaspar Vila Nova por Raul oliveira, o nosso entrevistado é convidado a integrar a equipa na direção… e assim foi… passou pelo conselho fiscal, tesoureiro etc etc… ai trabalhou para os columbofilos Portugueses e para a columbofilia 32 anos…. Lembra se com mais ênfase de algumas exposições emblemáticas que participou ativamente, nomeadamente a do Porto e a das Caldas da Rainha, que ainda hoje se fala nela, uma das melhores de sempre… aconteceu de 18 a21 janeiro 1996, teve as seguintes personalidades na sua organização: Coordenador Vasco Oliveira; Expositores, Manuel Ferreira; revista Luís Oliveira; Tesoureiro Vasco Santos Loureiro; Logística, Raul Oliveira e Conselho técnico, Mário Cabaço.

D. Berta, 81 anos de idade, uma companheira de vida, desde miúdos que estão juntos, tem sido columbófila, amiga, companheira e acompanhante em todas as viagens realizadas dentro e fora do país, apenas uma vez não viajou com o marido e foi uma viagem de tal ordem sem sentido que a ausência nunca mais se repetiu. Adorámos a sua companhia. O dia em Valado começou cedo juntos dos pombais, depois fomos visitar a sala de troféus e de seguida almoço. Na parte da tarde regressámos ao famoso Bunker e antes de partirmos fomos com a esposa do amigo Vasco fazer uma visita guiada pela casa… foram momentos de muito carinho. Obrigado pela vossa simpatia.

Vasco Oliveira dentro da instalações da Sociedade Asas Valadense, onde foi presidente durante muitos anos, desde 1967 até ao presente dedicou grande parte da sua vida a esta casa

Um sem numero de atividade levadas a cabo para arranjar verbas para dinamizar a coletividade, muitas reuniões, inúmeros serões perdidos, ou ganhos a lutar pela construção e mais tarde pelo crescimento… um orgulho poder dizer que conhecemos e somos amigos de Vasco Santos Loureiro.

Os documentos retratados de seguida são de uma importância histórica enorme, podemos observar desde o primeiro, através do qual foi pedido autorização à Federação Portuguesa de Columbofilia para ser constituída a coletividade, ainda esta tinha sede em Lisboa, pudemos também fotografar a primeira resposta da federação, e por fim a aceitação oficial. Podemos também observar a copia da primeira ata, elaborada por Hélio Matias… e um documento que muitos desconhecem principalmente os mais novos… em baixo também temos uma foto sua e é nem mais nem menos que um simples papel que cada dirigente era obrigado a preencher na altura da sua constituição com tal, no qual cada individuo assumia legalmente que não era comunista e só assim podia ser constituído diretor. E não menos importante deixamos uma foto também de uma homenagem que os columbofilos de Valado de Frades fizeram ao seu sócio nº1 e fundador Vasco Santos Loureiro.

Ainda este ano de 2022 a Coletividade Asas Valadenses fez questão de voltar a homenagear Vasco Loureiro, aquando da sua entrega de prémios anual.

Depois deste magnifico dia, fica já a saudade, encontrámos um amigo que queremos muito preservar. Os diretores e columbofilos locais estão e devem estar orgulhosos de poder trabalhar com esta família semanalmente e poderem aprender como se deve estar na vida e na columbofilia. Presentemente a coletividade, esta bem entregue, os órgãos sociais têm gente boa e com motivação para continuarem a fazer um caminho bonito. Obrigado a todos pela gentileza e pela forma carinhosa como receberam o Columbofilia Online. Desejamos muita sorte a esta amável família e que os nossos caminho se vão cruzando com saúde de ambas as partes. Até breve…

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