Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

Alberto Carrapiço… uma vida de columbofilia…

Senhores columbofilos bom dia. E que dia especial… fomos ao pombal de um jovem columbofilo com 90 anos de idade. Se os homens não se medem aos palmos… também não devemos conotar as pessoas de novas ou velhas pela idade, mas sim pelo seu estado de espírito, lucidez, dinamismo e amor pela vida… O nosso entrevistado Alberto Carrapiço, columbofilo desde os seus 12 anos, reside na Charneca da Caparica, distrito de Setúbal e conversou connosco sobre a vida e sobre columbofilia como se estivesse na plenitude da sua juventude… um senhor da columbofilia local, que ainda continua a cuidar dos seus pombos na integra, inclusive no que toca a limpezas, vacinações e afins… valeu muito a pena conhecer este senhor… e para si caro leitor, dará o seu tempo por bem empregue se ficar connosco durante os minutos que demora a ler este artigo …

Alberto Carrapiço e o seu Sobrinho João Carrapiço… actualmente apesar de não ter tempo para praticar columbofilia… dá uma ajuda ao tio, nas tarefas fora do pombal, nomeadamente nas compras e na realização de treinos.

Começou a concorrer com os primeiros pombos no Alentejo, tinha 12 anos, na sua terra natal: Estremoz, com 19 anos veio para Lisboa para a Marinha, e por cá ficou. Fez a recruta em Vila Franca de Xira e logo na primeira saída do quartel foi dar com um aglomerado de pombais em Alhandra… “foi uma desgraça”, diz-nos o nosso entrevistado… era inicio do ano e os bandos estavam em pré época e ele sentava-se junto à igreja a ver voar os pombos… a seguir começaram os concursos e sentado num muro esperava pelos primeiros pombos e ali permanecia horas a fio, assistindo ás chegadas.

Oferta José Marujo de Beja… para além de excelente voadora… esta a mostrar-se uma excelente reprodutora

Todos os Domingos parecia um ritual sagrado… assistir ás chegadas em Vila Franca, até um certo e determinado dia, que um dos columbofilos o chamou e lhe perguntou se gostava de pombos: “Eu gostar de pombos?… eu sou é maluco por isso”…”Junte se a nós”, disseram lhe… e ai fez uma mão cheia de amigos… Com o passar do tempo foi perdendo o contacto com alguns deles, por um lado deixou a tropa em Lisboa e passou para a margem sul, por outro foi em serviço para a América… mas com o regresso a Portugal e de casamento marcado, antes da casa ser erguida já tinha um pequeno pombal no terreno… zona do Feijó.

Em 1959 foi o primeiro ano que concorrer no emblemático Piedense, na Cova Da Piedade e desde ai até aos dias de hoje nunca parou ano nenhum. Ao longo de todos este tempo alcançou excelentes resultados quer ao nível de colectividade, como distrital e como columbofilo e nos melhores pombos de campanha.

Enquanto trabalhou foi difícil ganhar campeonatos, conseguia umas semanas fazer um brilharete, como na semana seguinte por falta de tempo, obtinha prestações menos conseguidas…e foi assim durante largos anos… até ao momento da reforma… a partir desse momento, tudo mudou e passou em pouco tempo a ser uma referencia como columbofilo. Passou a ter um numero maior de pombos e a aposto foi outra… agora era para ganhar…

Os primeiros pombos que colocou dentro no pombal foram do seu amigo Cabrita, também ele marinheiro. Entretanto ao longo dos anos adquiriu bons pombos sempre a amigos, por norma em quantidade reduzida e não se lembra de ter comprado um pombo… todos eles eram aduzidos e passavam no crivo do cesto, os melhores eram sempre encestados e no final de cada campanha acasalados os atletas de mais confiança de onde nascia a nova fornada de borrachos e no ano seguinte voavam os pais e os filhos… dificilmente passava um pombo à reprodução, apenas aqueles muitos especiais.

É um orgulho para o columbofilo, afirmar que as suas craques de fundo, especialidade que o amador se tem destacado, foram feitas por si… e resultam de um trabalho de mestria, na introdução de alguns pombos e depois na formação dos casais e posteriormente na sua selecção. Em 2015 sagra se campeão de Fundo com 5 irmãs, os machos também eram bons, mas as meninas fizeram toda a diferença.

As principais características que mais valoriza, são as boas asas, depois fundamental é testar no cesto. Quanto a cruzamentos, se procura pombos para velocidade, faz o casal com um pombo de velocidade e um outro de meio fundo ou fundo, se quer pombos para fundo acasala dois fundistas… nunca acasala dois bons pombos de velocidade um com o outro. Quantos aos olhos, não aposta em juntar Branco com Branco…tem tirado bons voadores e reprodutores quando junta branco com amarelo.

Livro registo de todos os pombos nascidos no pombal… procedimento levado a cabo de há muitos anos a esta parte.

Podemos encontrar na residência no nosso amigo Alberto Carrapiço, uma historia de vida contada em troféus… na foto em baixo uma das faixas mais adoradas, a de campeão de Fundo no grande clube Piedense. Venceu inúmeras vezes os vários campeonatos locais… e chegou a ser campeão Distrital de Meio fundo. Uma vida de triunfos, muita dedicação e um amor incondicional ao pombo correio e à columbofilia.

O primeiro ano que foi campeão geral foi em 1992, no Piedense, numa altura que eram 80 concorrentes e qualquer um dos vinte primeiros podia ser campeão, tivemos o prazer de fotografar essa taça magnifica. Voltou a ser campeão novamente por duas ocasiões, ficou em 2º lugar por uma vez e quando foi encestar em Almada, apenas o “Carola” (Carlos Cordeiro) o conseguiu vencer.

Os pombos actuais resultam em ultima analise, portanto estamos a falar dos pais das 5 magnificas e de alguns dos melhores reprodutores dos últimos anos, de um casal, que podemos dizer que é a base neste momento, uma fêmea do Palma da Charneca, com o macho velho do Carlos antigo sócio do Carrapiço, um pombo que se destacou em provas de fundo. A estes pombos podemos juntar alguns reprodutores de Pedro José , dos seus Van Loons e duas fêmeas da linha da sua “Sony Blue”. Referenciamos também uma pomba Belga adquirida num leilão Great Derby que tem reproduzido muito bem, uma pomba de Adrien Meribel.

Este apito peculiar tem uma vida de chamar pombos

Conhecemos um verdadeiro competidor… com idade nas pernas, mas com uma jovialidade fenomenal. Um homem talhado para competir, inicia o processo de aprendizagem dos seus jovens pombos no cedo e no cedo iniciam as viagens em competição, não guarda atletas sem serem bem experimentados, logo em tenra idade e sempre que pode para alem da competição semanal os seus pombos são sujeitos a um treino semanal… não se descansa nesta casa… a não ser que alguns atletas regressam com sinais de fadiga de um concurso maior ou de maior dureza e ai têm direito a repousar.

Foi um enorme prazer visitar este pombal. Quantos columbofilos temos o prazer de conversar com mais de 7 décadas de columbofilia com este perfeito enquadramento e desenvoltura? não é fácil… só por si era motivo de orgulho para o distrito, e para o País, mas não ficamos por aqui…em cima destes factos ainda é um vencedor nato. Parabéns… boa sorte já para esta campanha… até breve… amigo Carrapiço…

1 Comment on Alberto Carrapiço… uma vida de columbofilia…

  1. Gostei de ler.Parabéns Srº Carrapiço.

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