Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

José Bernardo Aroeira. Campeão G.C. Alhos Vedros 2017 – ACD Setúbal

José Bernardo Aroeira, rapaz de 58 anos de idade. Começou a sua ligação aos pombos com 13 anos de idade, decorria o ano de 1973. As primeiras anilhas que colocou nas patas dos seus borrachos eram umas verdes escuras… já lida com esta ave maravilhosa há 45 anos. Nasceu entre o Samouco e o Montijo embora os pais tivessem naturalidade alentejana sendo o pai oriundo da Vidigueira e a mãe de Portel. O primeiro pombal foi o transformar de um galinheiro da mãe onde já habitavam alguns pombos vulgares e ai começou o vicio das corridas com as anilhas de borracha ao relógio central na altura cedido pelo clube aos columbofilos mais velhos. Tudo tem um principio e o surgimento desta paixão neste nosso amigo  não apareceu do nada… enquanto moço de escola convivia com outros colegas, claro está, e um deles, o Luís Santos tinha pombos, visitavam com regularidade o pombal de Vítor Monteiro, incentivado pelo amigo. Um dia acabaram por lhe ofertar dois borrachos, eram 2 negros, que foram criados à mão. Aquele entusiasmo do crescimento, da adução, do voo, rapidamente o levou  à colectividade do Montijo a associar se… e foi assim o seu principio. O seu irmão mais velho, vendo e acompanhando este processo, começou a procurar a sua companhia no pombal e acabou por ser  sócio dele. Inscreveram se os dois e andaram lado a lado uma temporada.

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Tempos duros… altura que os jogadores de futebol jogavam por amor à camisola e o amigo Aroeira, como tantos outros, nos fins de semana ia à lambujinha para depois vender nos cafés e poder pagar as despesas dos pombos. Nessa altura não havia ração, os cereais eram comprados em separado e depois misturavam à sua maneira. Altura também que os columbofilos trocavam pombos entre si, visitavam os pombais uns dos outros, mexiam em pombos, ao contrario de hoje em dia que temos os especialistas em manusear pedigres. Foi assim, visitando columbofilos mais velhos perto de sua casa que arranjou os primeiros pombos. Uma dessas aquisições destacou se logo nos seus princípios: era a “chorona” que lhe foi ofertada em “borrachinha” pelo tio Alberto Ramos, que era musico e numa das suas actuações na Holanda trouxe alguns exemplares de lá e na altura estes pombos faziam toda a diferença nas classificações. Como o Aroeira o ajudava a levar os cestos para a colectividade ganhou um pombo dessa linhagem. Foi uma pomba marcante…foi a melhor de todas… quando encesta, vinha quase sempre à frente dos pombos dos campeões, diz-nos Aroeira.

Vista geral dos Pombais de Voo e ReproduçãoIMG_9478

Em conjunto com o seu irmão, fez um mealheiro e resolveram fazer algum investimento em pombos. Foram ao sr. Salvação que tinha adquirido uns pombos Belgas do Duque de Palmela. Este senhor vivia perto da residência do amigo Aroeira e com o seu falecimento, a família colocou os pombos à venda e foi assim que adquiriram alguns exemplares de grande qualidade. Vieram 2 casais e um deles que tinha vindo mesmo do Duque, foi bastante polémico na altura, porque havia muitos interessados, inclusive havia sócios do Montijo que diziam que os pombos já lhe pertenciam… tal era a qualidade daquele macho de 1971 que quase tudo o que reproduzia vencia corridas. Foram anos e campanhas muito boas, um filho desse casal chegou a vencer 5 corridas no mesmo ano.

A Base Actual (Pedigre dos Pais em baixo)

macho base aroeira

No ano de 1977 é criada a colectividade do Samouco, altura também que o seu irmão Manuel Aroeira se aborreceu da sociedade, pressionou o nosso entrevistado que resolveu agarrar em alguns dos pombos que tinha adquirido e sair do pombal de casa dos pais. Foi tratar dos Pombos dos irmãos Beja, que lhe ofereceram uma das secções para colocar os pombos que trazia e onde podia concorrer em seu nome…rapidamente foi campeão em nome individual, primeiramente campeão dos novos e mais tarde Campeão Geral. Manteve se com o “Beja” cerca de 4 anos, altura que partiu em nova aventura, fazendo um pombal em casa da Avó… fez pombais em tudo quanto era sitio… mais tarde fez pombal em casa própria quando casou, e ai foi mais de 10 campanhas campeão geral… era o auge da colónia.

Pais do Reprodutor Nº1  actual da equipa

A vida laboral entretanto começou a apertar o cerco, sendo militar de carreira, foi chamado para várias missões no estrangeiro e sentiu necessidade de se juntar a João Machado, a dupla era Machado e Aroeira. Fez missões no Congo, Timor, moçambique etc etc o pombal era na  casa do Machado para ele poder acompanhar mais de perto a colónia, durou 4 campanhas esta parceria…também venceram bastantes corridas e alcançaram resultados de mérito… é por esta altura que aparece o pombo mais marcante de toda a sua vida o “510”.

Outra perspectiva do Pombal

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Passados estas campanhas voltou à sua residência, umas vezes tratava ele outras a sua esposa, chegou a estar a fazer Missões no estrangeiro, e a esposa a voar os pombos, escolhia os que seriam enviados a concurso e esperava no outro dia por eles. Um amigo ajudava a levar as caixas à colectividade. Mas os pombais não ficaram por aqui. O pombal actual já esta situado num terreno de um tio da sua esposa que sendo columbófilo o desafiou a sair de casa e construir neste espaço onde estariam mais à vontade e assim foram aqui edificadas as actuais instalações… a sociedade era Domingos & Aroeira… boas marcações nesta altura… a partir do segundo ano desta junção chegavam a receber bandos de pombos a disputar o primeiro lugar… havia tempo nesta altura para os pombos, por parte do seu sócio… o tempo e o empenho fazem a diferença.

Fêmea que faz Casal com o “743” fotografado anteriormente

femea base aroeira

Mas já há novo projecto e provavelmente dentro de pouco tempo será construído o pombal definitivo na sua nova moradia. Enquanto o tio da sua esposa teve saúde foram campeões praticamente todos os anos que concursaram, mas entretanto as partidas da vida apareceram e teve que ficar novamente sozinho, decorria o ano de 2009 e dai para cá, mudou se para a colectividade do Montijo e sozinho… sem qualquer sócio.

Entrada das instalações

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Os últimos 3 anos com a passagem à reserva, começou a ter finalmente o tempo que queria para os pombos e realmente os resultados voltaram a aparecer de forma consistente… as marcações voltaram a pouco e pouco a subir e a ficarem de bom nível… o pombal de reprodução também sofreu algumas introduções de renome. Juntou se a “fome” com a “vontade de comer”.

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Vamos finalmente a uma passagem pelos grandes pombos que voaram nestas mãos. A historia dos seus melhores pombos começa na “chorona”, passa entretanto pelo “510” e vamos seguindo… teve uns bons pombos do “Beja” que tinham vindo de Manuel Jorge de Alcochete, na altura iam buscar muitos pombos a Povoa de santa Iria. Teve também uns pombos negros Ansenes que também eram especiais, da zona de Lisboa.

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Com a junção a João Machado aparece o “510” como já referenciamos. O João tinha um pombo que venceu a anilha de melhor borracho nesse ano, e o Aroeira tinha levado uma fêmea malhada que não marcava um papel, mas acasalou se com esse macho ao acaso, eles é que se escolheram, tiraram dois borrachos deles, até contra vontade do Machado, nasceu dai o “510” e o “511”, dois anos depois esse pombo fez 7 saídas a fundo fez 7 marcações e a pior de todas foi um 5º, ganhava sempre 3 a 4 primeiros por campanha… foi a altura dourada da colónia, chegou a fazer varias vezes do 1º ao 5º.  Nunca soube qual a origem deste pombos. O borracho do João era filho de uma fêmea vermelha ofertada, acasalada com o perna partida… não houve mais irmãos do “510” e da “511” porque o seu pai perdeu-se logo na campanha seguinte… ficou o filho a marcar. Esse pombo fez a sua colónia.  Desde  filhos aos seus netos nasceram vários craques a voar e a reproduzir.

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Na reprodução tem por habito não voltar a fazer o mesmo casal, quando um macho dá bons filhos com determinada fêmea, no ano seguinte separa o casal e arranja outra parceira e assim conseguiu filhos do seu grande macho a vencer e a reproduzir de diferentes fêmeas. Acredita muito na capacidade reprodutiva do macho em detrimento das fêmeas. Hoje em dia muito do sangue que corre ainda nas veias dos pombos neste pombal é ainda desse macho fabuloso.

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Na altura que foi em missão para a Guiné esse pombo foi emprestado à equipa Sol Nascente para galar umas fêmeas. Quando regressou da missão, recebeu de volta o seu craque em conjunto com dois filhos dele… esses dois borrachos foram aduzidos e fizeram logo essa campanha nesse mesmo ano. Venceram vários primeiros lugares… quase que se atropelavam a ver qual vinha ganhar. Duas maquinas, tal como os seus irmãos que ficaram no Sol Nascente. A ultima filha dele morreu em 2017, agora tem vários netos e quando esta mais em baixo no especialidade de fundo, volta a apostar fortemente nestes pombos.

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Hoje em dia já muita  agua passou por baixo da ponte e outros pombos já foram introduzidos e misturados, como diz o amigo Aroeira: “a evolução passa por isso…não podemos estar agarrados a duas ou 3 linhas, temos que ir metendo sempre alguma coisa nova… para não estagnar”.

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O seu amigo Armido, o Russo tem sido um parceiro inestimável nesta fase da vida. O Aroeira já vinha adquirindo alguns pombos, para reforçar o quadro reprodutor, mas com o Armindo resolvem em parceria fazer algumas introduções cirurgicas, resolveram comprar um pombo ao Sol nascente, amigos que conhecem bem, inclusive o entrevistado recebia de oferta anualmente alguns borrachos para voar e reconhece que são por norma de muita qualidade, resolvem então adquirir um macho por compra. Resolvem também adquirir a Francisco Santos de Benavente uns pombos que vieram inicialmente para casa do Armindo e por sua vez vieram para o Aroeira… misturando estes pombos aos do Sol Nascente e à prata da casa, chegamos aos pombos actuais.

Ninhos dos Reprodutores

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Ao fim ao cabo são 3 linhas de pombos: Francisco Santos, Sol Nascente e Prata da Casa, trabalhados em triângulo, mas a coqueluche actual e que faz toda a diferença …o casal maravilha, temos  neste artigo a foto dos pedigres quer do macho quer da fêmea, e ao longo destas paginas foram fotografados vários descendentes diretos e mais afastados, todos de excelente nível. Vamos contar a sua historia.

Base Antiga da colónia… hoje em dia são os pombos da moda…

Pombal de Machos Reprodutores

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Na altura foi com um amigo seu o sr Albertino a uma exposição de columbofilia na qual, este comprou dois pombos Holandeses e dois pombos à família nascimento Pedro, trouxeram os pombos para o Samouco, mas em pouco tempo o amigo aborreceu se dos pombos e acaba por lhos ofertar…ele ficou com eles e logo no primeiro ano juntou um macho Nascimento Pedro com a Holandesa, e a fêmea Nascimento Pedro com o macho Holandez… tirou 4 borrachos de cada casal… e realmente os filhos de um dos casais, quando encestados a concurso, vinham largos minutos à frente dos restantes…. destacavam se mais na velocidade e meio Fundo… venciam anilhas anualmente… os primeiros dois que nasceram então eram formidáveis… depois de ganharem tudo o que havia para ganhar… foram emprestado a Carlos Pinto… ainda está à espera deles… mas outros irmãos se destacaram…e povoaram estas instalações.

Pombal Machos Voadores

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O Pilar actual da reprodução e que esta aqui fotografado é irmão desses dois pombos, e já é pai e avô dos craque actuais… nem era o melhor voador… mas a reproduzir foi e é o melhor de todos. Foi acasalado a uma neta do “030” do Sol Nascente e começou a tirar borrachos. Depois de crescidos começaram a revelar uma beleza fora do comum e assim o columbófilo resolveu ir tirando mais, ficou nesse ano com 7 filhos do casal… não perdeu nenhum e como borrachos o mais fraco classificou se 6 vezes. Assim descobriu o casal. Hoje em dia marcam bem de velocidade e meio Fundo mas assim que foram a fundo ainda se destacaram mais e dai para cá esses especialidade é voada com esta geração de pombos, neste pombal e em pombais de amigos a quem ele ofereceu. Neste artigo temos fotografado, filhos e netos deste casal… este ano ano venceu 3 primeiros… dois deles com netos e o outro com um filho.

Pombal Fêmea Reprodutoras

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Normalmente tem 30 a 35 fêmeas e outros tantos machos na reprodução. Faz 12 a 13 casais por ano, sendo que na ultima postura desfaz e refaz os casais com outros parceiros,  de todos tira cerca de 100 borrachos, dos quais fica com 60 para ele, os restantes são oferecidos a amigos. Junta os borrachos a 70 adultos e faz a equipa para a campanha seguinte. O voo diário é sempre dividido em 3 bandos: fêmeas adultas, machos adultos e depois borrachos com os dois sexos juntos. Gosta de fazer jogos antes e depois do encestamento.

Pombal fêmeas Viúvas

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Agradecimentos aos irmãos Beja que estiveram com ele em todos as fases da vida columbófila, ajudaram-no bastante e marcaram a sua vida, estiveram nos bons e nos maus momentos… sempre disponíveis para tudo… como columbofilos e amigos são espectaculares, diz-nos José Aroeira. “há muita  gente que tenho a agradecer como é o caso do Sol nascente, O Armindo, o santos…tantos …tantos…”

“A columbofilia para mim é um hobby que me tira da realidade… todos juntos em sintonia… e me faz esquecer os problema da vida… e só sei estar assim nos pombos…com respeito por todos. Ganhar e perder faz parte da columbofilia e temos que aceitar que nós erramos muito, e que muitas vezes, quase sempre, somos os responsáveis pelo insucesso, não podemos virar as culpas aos nossos pombos ou aos adversários.”

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Esta nosso visita a este columbófilo e amigo já estava preparada faz tempo, mas as vicissitudes da vida não o permitiram… o tempo hoje em dia corre a uma velocidade louca… estamos sempre com pressa… temos sempre muito que fazer… é difícil parar e respirar… mas depois de alguns desencontros conseguimos estar presentes e passar uma tarde muito agradável na companhia de alguém que vive a columbofilia de forma apaixonada… de corpo e alma… e que para além do vencer está o conviver… o viver… é sempre um prazer estar com este companheiro de luta… tem sido incansável a sua luta como amador para poder continuar a ter pombos… tem sido um dirigente que tem lutado por todos inclusive a nível da associação distrital e por tudo isto só podemos dizer obrigado por ser nosso amigo e estar assim de peito aberto neste nossa actividade desportiva que tanto amamos…até breve…

2 Comments on José Bernardo Aroeira. Campeão G.C. Alhos Vedros 2017 – ACD Setúbal

  1. Carlos Manuel M Sousa // 3 03UTC Dezembro 03UTC 2018 às 15:38 // Responder

    Continuação de grandes sucessos junto de família e amigos

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  2. Parabéns Zé, está entrevista que li com muito gosto é enorme orgulho, classifico de um reconhecimento público e
    merecido a alguém que se dedicou á columbofilia de forma ímpar, na competição e também no dirigismo. Grande abraço amigo Zé.

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