Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

Francisco Reizinho – Palmela – ACD Setúbal- Símbolo columbófilo

Francisco Manuel FC Reizinho, é um senhor de 63 anos, um homem novo, na plenitude das suas capacidades intelectuais mas limitado pela sua situação de saúde e pelo local onde esta implementado o pombal. As instalações estão situadas numa zona linda, numa das encostas do castelo de Palmela, mas de difícil acesso. Carregar ração, levar agua e tudo mais, até onde faz falta é muito difícil, só quem conhece, consegue dar o valor ao esforço que este columbófilo faz diariamente de há muitos anos a esta parte para poder continuar a praticar columbofilia, tentaremos elucidar com a foto que se segue as manobras necessárias para chegar junto dos pombos. Um amor incondicional ao pombo e ás lides columbófilas.

Escadaria que desce pelo muro do castelo e dá acesso ao Pombal

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Relógio Junior,  de Francisco Reizinho

Saiu num sorteio realizado pela ACD Setúbal, calhou-lhe o 3º prémio, comprou 3 rifas na altura, saiu –lhe esse prémio.

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A historia columbofila de Francisco Reizinho, começa na sociedade columbófila de Setúbal que esta no seu coração. A sociedade de Palmela terra onde estão os pombos e sempre estiveram, funcionou 5 anos, foi fundada em 11\08\1954 e depois fechou, o nosso entrevistado nasceu a 20\11\1954. A colectividade foi reaberta no ano que o amigo Reizinho começou a sua actividade columbófila, em 1973. O seu irmão começou mais cedo, em 1963, era mais velho que ele 5 anos. Mesmo depois de Francisco iniciar a sua lide columbófila, concorreram nesta altura sempre em nome do Irmão, não havia justificação para terem duas cotas na Federação.

Uma peça de museu… este pedigree

Estes pombos foram cultivados neste família… historia mais à frente…

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O Francisco Reizinho saiu da escola aos 12 anos e começou logo a trabalhar, na altura na construção Civil, ofício do pai, depois esteve á espera de fazer 14 anos para poder fazer o exame de 4ºclasse de adulto, tempos em que, para se trabalhar numa oficina era obrigatório este diploma. Depois de mais este passo foi para Setúbal, com essa idade, trabalhar numa oficina. Nascido criado e residente em Palmela, sempre Palmelão, vindo de uma família Média Alta, porque trabalhavam também os campos, tinham algumas “posses”.

Uma recordação única… já nada disto de faz nas colectividades

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Os Pombos entram na sua vida da seguinte forma: o seu irmão, João Reizinho, começou primeiro que ele a aproximar se dos pombos e ele foi sempre acompanhando, apesar de ser “sacudido”, na altura 5 anos de diferença entre irmãos fazia toda a diferença, por exemplo não podia ainda entrar num café, só partir dos 16 anos é que podia, até essa idade os miúdos ficavam à porta. Os columbófilos da altura juntavam-se no café e ele ainda mocinho não podia ai permanecer. Por vezes  iam visitar determinado columbófilo e ele não podia acompanhar os mais velhos, o irmão já podia. De vez em quando os outros columbófilos locais lá o chamavam, mas não era fácil. Outros tempos, outras formas de estar da sociedade. O seu primeiro pombo anilhado era de 1960. As datas de nascimento de todos os pombos que foram referencia na sua vida estão todas muito presentes, não sendo um coleccionador, Francisco Reizinho guarda todos os títulos de todos os pombos que possuiu ou possui , desde o início ate aos dias de hoje. Todo este material está a ser compilado em pasta e em pouco tempo pode ser apressiado. Tem o seu primeiro titulo de propriedade de 1959, último ano que as anilhas ainda não tinham plástico, eram só de alumínio, depois o numero era gravado no alumínio e tinha plástico por cima, “hoje cai o plástico o pombo perde a identidade”.

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Em 1960 Nasceu um azul, batizado de “Labicha” e foi assim o principio dos pombos nesta família, o primeiro pombo Correio. Conseguimos fotografar o titulo do “Labicha”. A primeira década foi toda ela muito igual, aquisição de pombos em casa de amigos, edificação de pombal, no terreno anexo à casados pais, os primeiros concursos, o normal para principiantes. Por volta de 1966 o Francisco começa a tomar o pulso da colónia e a ser o responsável pela condução da mesma. Nesta altura para além de irmãos passam finalmente a sócios. Não tinham relógio, corriam a marcar à zona.

Calendário Desportivo de 1965

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Na altura que a sociedade de Palmela fechou, possuía 3 relógios de bater que entregou em Setúbal para serem usados por quem precisasse, e vieram para alguns columbófilos que concorriam em Setúbal, mas com pombal em Palmela. Interessante que os Irmãos iam marcar num vizinho que tinha o pombal num 1º andar, e ele tinha um desses relógios. Colocaram ai uma corda, com um cesto e corriam até à sua casa, a esposa estava à porta, chamava o marido, e ele puxava a corda já com a anilha enfiada no dedal, claro que ele puxava, quando não estava a marcar os dele, porque se estivesse a chegar algum para ele não ouvia a mulher a chamá-lo às “primeiras”, e assim foi durante cerca de 3 campanhas. Houve algumas reclamações e obrigaram o columbófilo a colocar o relógio à porta da sua casa, e assim o Reizinho corria até lá, chegava e marcava logo o pombo e o columbófilo mais velho, arranjou um tubo, enviava a anilha por esse tudo e a mulher dele cá em baixo marcava os pombos. Nesta altura todos os pombos eram oferecidos por amigos locais, nestes anos recorda Francisco Reizinho: ” não se davam assim pombos às primeiras, hoje em dia está diferente para quem quer começar”.

Títulos de propriedade dos primeiros pombos

IMG_7070 O pai Reizinho, ao ver a dedicação dos filhos aos pombos e ver que os outros columbófilos tinham todos relógio, resolveu em 68\69 comprar-lhe um Somar. Custou na altura cerca de 800 escudos, a melhor prenda que podiam ter. Para alem disso em 1970, ano que tudo mudou a nível columbófilo, o pai arrancou o telhado de casa, onde tinham uma varanda e fez-se um pombal em tijolo, até fez uma banheira em alvenaria à frente do pombal. A mãe não gostava muito da ideia porque deixava de ter sitio para estender a roupa, mas o espaço  no final das contas… dava para tudo.

O grande pombal na altura…

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Por estes anos o João Reizinho trabalhava, altura também que casou, fez a tropa, ao fim ao cabo fez todo esse percurso normal de vida, e o Francisco em virtude deste corrupio  e ainda não estar nessa fase da vida, passou a ser o líder da equipa e assim se manteve dai para a frente.  Começaram a adquirir pombos já por algum dinheiro, até porque já trabalhavam os dois e a equipa começa por esta altura a dar um salto qualitativo. Em 1971 foi a primeira grande campanha. Havia em Setúbal uma competição a serio, concorriam mais de 50 columbófilos e os prémios eram aliciantes. Desde este momento até perto dos dias de hoje, o Reizinho esteve sempre na disputa dos campeonatos e dos concursos, fazia 5\ 6 primeiros por época e a vida corria bem. Fizeram um historia de taças formidável em casa  dos pais, encheram praticamente todas as divisórias, e já não havia espaço para tanto prémio, só na casa de banho é que não havia taças. Hoje em dia muitos dos materiais utilizados à época para os troféus foram substituídos, para poderem ter outra apresentação e também outra durabilidade.

2º Fase do Pombal

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Naqueles anos em Setúbal recorda Francisco Reizinho com emoção, havia um campeonato disputado por 3 borrachos, escolhidos no inicio da campanha, diz nos que é preciso ter sorte para vencer, mas que dá muito trabalho procurar essa sorte, e quando dizem que é preciso ter “mãos”, para ganhar na columbofilia, ele diz que é preciso é ter “olhos”, porque as mãos fazem os que os olhos vêem para fazer, nesse campeonato designou 3 borrachos e não foi que nesses 3 conseguiu, pombos com primeiros e segundos prémios. Esteve a disputar o campeonato com o Professor Doutor Estima Coelho, um ilustre na altura, que muito contribuiu para a reabertura da colectividade de Palmela, foi presidente da colectividade de Setúbal, presidente da Associação, esteve ligado à Federação um senhor natural da zona de Coimbra, mas que fez vida no distrito de Setúbal. o Troféu na realidade foi vencido com todo o mérito, pelos Irmãos Reizinho, mesmo no ultimo concurso.

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Lembra um celebre macho que tinham comprado ao Tomas da Silva do Barreiro, columbófilo à beira mar, que também deixou marcas profundas na vida columbófila desta família. Esse columbófilo concorrente da Barreirense que tinha um casal de pombos cuja maioria dos filhos venciam anilhas e perdiam as anilhas uns para os outros. No Barreiro chegou a haver dois clubes, mais tarde formou se o clube do Barreiro, actualmente fechado. O macho do casal era o “Arsenal” e a fêmea era uma Belga, estavam todos baptizados os seus filhos: “perna Alta”, o “Arrepiado”, o “escondidinho”, o “52” etc etc, todos estes pombos vieram parar a Palmela menos o “escondidinho” a columbófilos que já não estão entre nós. Eles tiravam filhos deles e ofereceram também a Francisco Reizinho, um desses columbófilo conhecido por Manuel Fotografo, de seu nome:Manuel Lino Pais, ofereceu-lhe 2 ovos desses pombos, e saíram dois bronzeados que foram muito bons. Desta forma ficou com essa linha de pombos consolidada e durante vários anos deram “cartas”. Tudo corria bem, mas os columbófilos querem sempre mais, e pensaram em fazer e fizeram o terceiro pombal, que foi feito em cima do de alvenaria, mas em madeira, tinha um sputnike e uma entrada a Americana.

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Momentos altos que se viveram nesta época. No seguimento, e continuando a contar a historia dos pombos que fizeram a diferença neste percurso imaculado, foram comprar o melhor pombo que tiveram de todos os tempos, esta gravado no seu coração, um azul vencedor de vários troféus, foi anilha de ouro, numa altura que anualmente só se atribuíam por ano 3 anilhas, ouro, prata e Bronze para os melhores da geral, aquele azul venceu mais duas anilhas na sua carreira. Com estes pombos,  columbófilo Francisco Reizinho no primeiro ano que competiram em Palmela depois da reabertura da colectividade em 1976, estávamos agora em 1977 foi logo campeão geral e partir dai para frente, disputou sempre os vários campeonatos, venceu todos eles e os vários troféus que apareceram em disputa. Principalmente Velocidade e Meio Fundo era sempre em grande, em 2010 foi o ultimo campeonato ganho de velocidade, ano em que já estava debilitado na sua saúde e vinha de uma operação.

Pedigre de um pombo Álvaro Silva… outra peça de museu…

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O macho azul que falámos em cima era oriundo de Porto Brandão, de António Alexandre, nessa altura Francisco Reizinho, passava o seu tempo disponível a viajar de pombal em pombal a visitar os atletas que venciam nas várias colectividades e em Porto Brandão não foi excepção, foi com um amigo, iam com tempo, lancharam, compraram alguns pombos e pediram ainda uns ovinhos. Estava o Francisco e o seu amigo Celestino Alberto, mas o homem que visitaram nesse dia, disse que tinha ovos, sim senhor, mas eram de irmãos… não faz mal disse o Reizinho e lá vieram os ovos. Nasceram 2 fêmeas, qualquer uma delas deu anilhas de ouro, cada um deles ficou com uma delas e chegaram a trocar filhos entre si. A mãe do azul anilha de ouro nasceu de um desses ovos, uma negra de guias brancas.

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Foi uma geração e uma dinastia que ficou nesta família oriunda dessas duas fêmeas, o pombo mais marcante foi realmente o azul anilha de ouro, por exemplo dia 1 de Abril  do ano que decorria, dia de nevoeiro, fizeram Talavera, pensavam até que não havia solta, na altura sem telemóveis nem informações de solta, nem na radio nesse dia se tinha conseguido saber alguma coisa, quando no meio do nevoeiro e sem alguém estar à espera, cai o azul na prancha de entrada, os corações saltaram e a adrenalina corria todo o corpo, venceu o 1º lugar, foi uma emoção que atravessou décadas e ficará guardado para sempre nas boas memorias.

Aqui normalmente ficam os machos…

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Estes foram das linhagens melhores que tiveram em todos estes anos como columbófilos, a par com uma fêmea comprada num Leilão em Almeirim no ano de 1976, uma pomba “catrisse”. Neste evento estavam inúmeros columbófilo de renome, tal como o Torres etc, custou a borracha, nesse ano 900 escudos, que era muito dinheiro. Voltar para casa e  dizer aos pais que se gastou esse dinheiro num pombo, não era fácil, mas essa fêmea tem uma historia, o leiloeiro na altura quando o Francisco foi pagar disse lhe: “você é novo e não é daqui? Se não fosse assim… estão ai os leões todos e não o deixavam levar essa pomba… só por isso é que a leva… essa é filha de um casal importado de “Catrisses” do José Manuel Pinto”.

Corredor central de acesso às varias secções

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Trouxe a pomba e meteu-a dentro do pombal à chegada a casa. Nesta altura a sua mãe é que vestia a bata, tratava dos pombos, treinava-os, chamava etc, porque o columbófilo tinha que ir todos os dias trabalhar para Setúbal na oficina. Nesse dia segunda feira à tarde chega do trabalho e o borracho, a fêmea não estava lá, tinha saído pela entrada, subiu ao 1º andar a ver se a via e realmente ainda a viu passar, e pensou, ali onde vão os meus 900 escudos, nem disse nada à mãe, na terça feira voltou ao trabalho e no regresso, não é que a pomba tinha entrado sozinha no pombal, foi a maneira de a aduzir, ia na 3º ou 4º guia a mudar… já estava “rija”.

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Foi uma fêmea extraordinária de fundo, faziam muitas Saragoças no distrito de Setúbal, 750 kms para Palmela e classificou se em todas as que foi. Foi Também uma excelente reprodutora, marcou positivamente aqueles anos. Foi outra linhagem que perdurou nesta casa. Naquela altura foram as duas pedras fundamentais na colónia, ela e o azul anilha de ouro.

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Continuando na descrição dos pombos que provaram neste pombal, vamos entrar nos pombos de Álvaro Silva adquiridos em 1989 os primeiros. Foram espectaculares, nesta altura os columbófilos Alfacinhas juntavam se numa cervejaria em Lisboa e o Francisco com a ajuda de amigos e ao saber destas voltas encontraram uma forma de lá irem ter e foi assim que conseguiu lá adquirir estes pombos. Em 2000 voltou ao Álvaro e comprou mais  dois machos perto de 20 contos cada um, do mesmo sangue dos que tinha trazido antes, eram “Gilmons” que foram directos à reprodução, um azul de plumagem linda e um malhado quase branco, começou a tirar do azul que aprovou logo como reprodutor e deixou o malhado para traz, mas mais tarde tirou uns borrachos em cruzamento com uns pombos Romário via Alexandre Oliveira, geração de um pombo que veio da Maia do José Manuel Araújo em borracho para o Alexandre e estes têm sido os melhores dos melhores nesta colónia já de há muitos anos a esta parte, e deste cruzamento voltou a tirar dividendos, (Gilmons X Romário).

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Actualmente ainda tem uma filha do tal malhado, é uma negra que dos irmãos era a pior voadora, quase todos os irmãos ganharam anilhas menos ela, mas foi para a reprodução. Quando cruzada a um Janssem linha do Charles, via Alexandre Oliveira, têm sido uns pombos diferenciados, ainda este ano de 2018 um filho dela venceu uma anilha de Bronze. Deixamos Álvaro Silva e vamos até António Luís Galrão. Em 1983, num leilão da colectividade de Palmela comprou lá um macho dele, dos Armindos \ Caracinhas, que era de uma vivacidade extrema, cruzado aos pombos do Álvaro Silva deram pombos extraordinário de Fundo, nomeadamente nas provas que poucos pombos vinham dormir a casa, esses eram os concursos de eleição para estes pombos. Recorda-se de uma celebre La Gineta, que apenas veio um pombo para Setúbal e para Palmela, apenas regressou a negra do Reizinho e já eram 21h, todos tinham saído do pombal e estavam na colectividade a dar o disparo de segurança nos relógios, inclusive o Francisco que na qualidade de director lá estava também, surge entretanto  a novidade que tinha chegado a tal pomba que ficou famosa por estas paragens. Nesses anos tinha o apoio do amigo Jacinto que nesse dia passou pelo pombal e verificou que estava um pombo pousado na prancha, noite fechada… ainda se espantou, quando a foi tentar abrir a entrada, voltou a pousar e foi ele que lhe tirou a anilha de borracha. O amigo Jacinto muito ajudou o Francisco desde o inicio dos pombais na encosta do castelo, quer na edificação do pombal, na preparação do terreno para tal e muito mais, contam orgulhosamente a historia de como conseguiram este terreno para a construção das instalações.

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Nessa noite quando entrou na colectividade em grande alvoroço, a gritar: “está aqui um pombo…está aqui um pombo… ” fez historia em Palmela. Durante vários anos o sr. Jacinto foi um apoio, um braço direito nos pombos e não só.

Desta linha de pombos, foram oferecidos vários exemplares a amigos que ainda hoje em dia se encontram na reprodução desses columbófilos a reproduzir com enorme qualidade.   

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Em 2001 voltou a Luís Galrão, onde comprou dois Belgas do Xico

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Era um casal. À chegada tirou logo dois filhos do mesmo e colocou os dois também na reprodução. Actualmente à data desta publicação são os melhores fundistas do pombal, nomeadamente cruzados a “meulemans CIC”, têm-se revelado excelentes pombos.

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Continuando na historia dos bons pombos… chegamos a Ulisses Terra, de onde Francisco Reizinho trouxe uma caixa cheia de pombos, até já estava assustado nesse dia, porque levava apenas 50 contos e sabendo os preços de cada pombo que já tinha escolhido, pensou em parar por ali, mas entretanto o Ulisses foi metendo mais pombos e mais pombos e ia dizendo, o amigo não se preocupe e na realidade vieram todos até Palmela sem mais custos adicionais, e daqui também saíram pombos com qualidade.

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De 2001 para a frente nunca mais comprou pombos e todos os atletas ou reprodutores que tem introduzindo vêm da colónia de Alexandre Oliveira que tem sido actualmente um companheiro, tal como o Francisco foi para ele quando se estava a iniciar na columbofilia.

Para finalizar este capitulo temos de frisar que um pombo do Dr. Barros Madeira também foi um dos pilares da Colónia e a entrada dos Pombos do amigo Prates de Vendas Novas também foram uma mais valia na equipa.

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Voltando a pagina desta historia… Como dirigente tem siso uma figura ímpar da columbofilia do distrito de Setúbal, na colectividade e na Associação. Esteve envolvido directamente na reabertura de Palmela onde é sócio numero 2, e podia ter sido numero um, por uma questão de respeito, na altura até era o sócio numero 3, o numero dois era o João Reizinho e o Alberto por ser mais velho ficou sócio numero 1. A primeira casa que serviu de sede foi também ela encontrada pelo Francisco, era da santa da Misericórdia, um espaço que estava atribuída a outra actividade.

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Francisco Reizinho ao ter conhecimento que o espaço ia ficar livre, sabendo que a chave do espaço seria entregue em breve à D. Diamantina que recebia mensalmente o dinheiro para entregar à santa Casa da Misericórdia. Recebia a renda, que não era renda, era como donativo. O Francisco era um rapaz novo, levou consigo um amigo mais velho, Celestino Alberto, já falecido entretanto, que tinha um grande à vontade social. Foram os dois falar com a senhora. Ela punha e dispunha do espaço e nesse dia disse-lhe logo que sim senhor, assim que entregassem a chave a casa  seria encaminhada à columbofilia.

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E assim foi… à posteriori a casa foi entregue à columbofilia, combinaram-se os valores a pagar mensalmente, em donativo e a Santa Casa ficou a pagar a agua e a luz. A casa tinha umas portas velhas, tudo a cair e desde logo foram substituídas por umas novas feitas por Francisco Reizinho, quase que uma obra de arte, com respiradores, a pensar nas noites que os pombos tinham que passar ali e a pouco e pouco com a envolvência de vários amigos foram melhoradas as condições e feitas as obras necessárias na casa. O primeiro cargo do nosso entrevistado na estrutura columbófila, foi vogal do conselho Técnico, depois foi secretario do conselho técnico, depois presidente do conselho técnico e depois presidente da colectividade, de há uns anos para cá é presidente do conselho Técnico ate hoje. Inclusive hoje em dia continua em funções já nas novas instalações da sede da colectividade, onde estão há 22 anos.

Mas que vista espectacular… da porta do pombal…

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A câmara atribui anualmente um subsidio ás colectividades locais, mediante a grandeza de cada uma, e Palmela nunca mexeu nesse dinheiro, juntou ao longo do tempo e essa verba foi utilizada na compra da nova sede, local onde estão hoje em dia. A Câmara apoiou também, a nível da arquitectura, materiais etc etc. Caetano Gonçalves também deu um importante contributo, um homem ligado ao negocio das Loiças, arranjou muitos troféus distribuídos nas entregas de prémios, o que permitiu poupar esse dinheiro e em cima disto fizeram inúmeros leiloes para arranjarem o resto do dinheiro e varias iniciativas de angariação de fundos… uma vida cheia de dinamismo e empreendedorismos em prol da columbofilia.

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Durante estes anos e desde 1976 fez 3 mandatos nos corpos sociais de Palmela e presentemente, é um homem já homenageado,já sendo  sócio honorário da mesma. Presentemente ainda é ele que abre e fecha a colectividade diariamente, não perde o entusiasmo.

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Francisco Reizinho tem tomado a iniciativa e tem participado em todas as iniciativas levadas a cabo em Palmela e em vários locais do seu distrito, desde soltas de pombos nas festas locais, soltas nas escolas, desde receber grupos de crianças para dar palestras,  e poderem manusear pombos e aprenderem o que é a columbofilia, algumas das iniciativas foram por exemplo nas ferias da pascoa das escolas, no dia da árvore que também costuma ser especial… os miúdos escreveram mensagens, colocaram nas patas dos pombos fizeram uma solta e depois receberam de volta as mensagens que foram lidas em publico… foi muito interessante. Ás vezes em plena campanha chega a sacrificar os seus pombos durante a semana para poder acudir a iniciativas da autarquia… caros leitores, isto não é para todos, teve que prescindir em determinada semana de campanha dos machos e encestar apenas fêmeas? ou vice versa… É preciso muita paixão para se sacrificar a si próprio em prol da columbofilia.

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 Mas não ficamos por aqui… quando as  regiões espanholas vêm soltar a Portugal  ao distrito de Setúbal é ele que em muitos casos tem dado o seu apoio, acompanhando os nosso irmãos e tratando tudo o que é preciso para correr bem. Também já foi “famoso” na TV, chegou mesmo a fazer parte de uma grande reportagem da SIC em que realizou uma solta filmada com a colocação de mensagens nos pombos, depois a filmagem da chegada ao pombal, uma iniciativa que relatava e falava em viagens e em particular neste caso as viagens do pombo-correio. O seu empenho é notável, tem sido um exemplo de vida para novos e velhos, o seu sentido de responsabilidade em apoiar as autoridades locais sabendo que por vezes tem de lhes ir bater à porta quando também a columbofilia precisa, tem sido exímio. A titulo de exemplo e para elucidar o trabalho que tem sido feito em Palmela junto da Junta de freguesia, conseguiu ter um carro à disposição da colectividade com motorista ás horas que é pedido para levar os pombos a todas as concentrações e treinos, é sem duvida um feito e uma mais valia enorme para os columbófilos locais, sem qualquer encargo.

destaque fancisco palmela

Participou na concretização de equipa de pombos de competição criada na escola Bocage em Setúbal onde foi desenvolvido um projecto de columbofilia, com a envolvência de inúmeras crianças, nomeadamente o Nuno Correia, na altura um miúdo e que foi uma historia de sucesso do projecto, já que hoje em dia é columbófilo e por sinal de forma muito afincada, com um empenho elevado e com bons resultados desportivos

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Em 1978, nas festas das Vindimas faziam sempre anualmente uma exposição que apresentavam os melhores pombos do ano, mais uma iniciativa com participação de Francisco Reizinho.

Foto da edição nº1 do Jornal Columbofilia

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Ao longo dos anos, não se considerando um coleccionador, tem vindo a guardar algumas relíquias columbófilas, nomeadamente a colecção completa do jornal Columbofilia, uma iniciativa do distrito de Lisboa. Apenas fotografamos a 1ºe a ultima edição… por uma questão de espaço.

Foto da última edição do jornal Columbofilia…reparem o que esta escrito na primeira pagina.

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Caros leitores quase que fiquei cansado só de escrever tamanha biografia…é um orgulho enorme conhecer pessoas assim e ter o privilegio para alem de conviver com elas, ainda poder  contar ao mundo a sua historia…obrigado…muito obrigado. A visita não termina por aqui…ainda vou regressar a Palmela para poder ler todos os exemplares deste jornal de Lisboa… não vou perder essa oportunidade e depois conhecer a sede actual, que tem umas condições excelentes, contaram me e deve ter lá algumas peças interessantes…uma sei eu que lá está, que é um relógio oferecido por João Carlos Santos Faria, com 60 anos na casa dele e que é uma relíquia, pensávamos que o relógio fotografado em Cascais seria único, mas este é igualzinho. Um bem aja amigo Reizinho e não perca essa força imensa…a columbofilia precisa de homens como o senhor…precisa de si…obrigado.

1 Comment on Francisco Reizinho – Palmela – ACD Setúbal- Símbolo columbófilo

  1. Parabens por mais esta interessante e grande reportagem, a columbofilia também é feita com estes Homens que dedicam uma vida a este mui nobre desporto sem nada receberem em troco, apenas a paixão pelo pombo-correio, para o grande aficionado Francisco Reizinho muita saúde e que vá levando a àgua ao seu moinho devagar mas bem!!!
    Saudações columbófilas

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