Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

Artur Oliveira – Sacavem – Lisboa

Um dia inesquecível para o autor. O columbofilia Online foi até Lisboa, mais especificamente a Camarate, e depois de perdermos algumas vezes lá encontramos o pombal de Artur Oliveira. Um senhor da Columbofilia Alfacinha e Nacional. Representou o seu País por 4 vezes em diferentes olimpíadas, uma historia de sucesso quer ao nível da competição como do dirigismo. É com enorme prazer que contamos a historia de uma vida dedicada  à columbofilia, sempre ao mais alto nível. É também uma grande satisfação falar de um homem que ao longo da sua vida construiu a sua própria linhagem de pombos. Confira toda a historia nas linhas que se seguem…

Frente dos Pombais de competição

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Actualmente Artur oliveira tem 64 anos e o seu arranque no columbofilia acontece na sua meninice, residia em Sacavem na Quinta do Mendes, e morava num género de pátio, com um quintal grande, os vizinhos tinham ai animais e na altura o seu pai construiu-lhe uma capoeira, que parecia um foguetão e ai tinha coelhos, patos, galinhas e na parte de cima alguns pombos, decorria o ano de 1963 tinha ele 9 anos. O seu pai vendo a dedicação e o amor aos pobos que chamamos na gíria de  vulgares, pediu alguns borrachos a um amigo seu columbófilo, onde vinham 2 azuis, mas entretanto mudam de casa e vão viver para a Quinta de S. José para a rua do jogo da bola, os patos, as galinhas e o resto dos animais mataram-se e apenas ficaram os 2 azuis, que se alojaram em casa. Mas no final das contas eram duas fêmeas e não havia maneira de haver criação lá em casa. Procuraram resolver a situação e encontrar um macho. É desta forma que o bichinho da columbofilia entra no sangue de Artur Oliveira

No dia da entrevista juntaram se alguns amigos que nos acompanharam na altura do repasto e nos primeiros minutos à chegada ao Pombal… boa ginja…

grupo artur oliveira

Mas entra então um pombo negro em 1967, 707823, o Melro, que foi acasalado com uma azul de guia Branca a 707824, números seguidos, mas não eram irmãos, formam o casal velho. Este casal teve 4 filhas em 1969 e a partir destes 4 pombos nasce uma família ganhadora. Como voadoras eram espectaculares, se encestava duas a um concurso, vinham sempre para fazer a diferença e depois como reprodutoras…marcaram a sua altura na columbofilia.

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Uma fêmea negra, vencedora de uma anilha de prata distrital já neta do casal velho, filha de uma das fêmeas de 1969 é a progenitora de uma linhagem que tem voado no seu pombal já há varias décadas.  A sua linhagem foi cultivada de duas maneiras:  cruzava bem com o vermelho do Oliveira das Caldas um pombo perdido, comunicado, mas que acabou por lhe ser oferecido pelo Mário por ter as patas partidas e por outro lado cruzou bem com um macho de Alverca do Domingos Manuel. Destes dois cruzamentos nascem duas gerações extraordinárias.

Corredor Frontal de acesso às várias secções

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Em 1980 ofereceu ma vermelha ao amigo Moita, conhecido por Necas  Santa Iria que cruzou com um Imbrecht e entretanto ofereceu -lhe outro pombo filho da Negra com o pombo do Domingos que foi ser acasalado com os Belgas do Xico que ele tinha. Como esta entrada de pombos do Artur em Casa do Domingos estava a resultar muito bem, introduz ele mesmo os pombos do amigo em sua casa. Traz um macho em 1987 do casal base (Belga do Xico) que foi acasalado com uma submarina, e foi logo como fogo na palha. Já vamos ao conhecimento de como aparecem os “submarinos”. O Artur antes de se reformar era bancário e numa incursão de uns estrangeiros para cambiarem dinheiro na sua sucursal do banco onde trabalhava na avenida da Republica em Lisboa, houve um problema no cambio e entregaram dinheiro a menos ao sujeito Belga, quando deram pelo erro foram ainda à rua tentar apanhar o homem. Depois de alguma procura lá encontraram o grupo que andava ás compras, devolveram o dinheiro ao sr. e o Artur ainda ofereceu uma colecção de moedas como compensação e em jeito de brincadeira disse-lhe quando se despediu, quando voltar a Portugal, numa próxima oportunidade traga me um pombo Correio que vocês na Bélgica são bons nisso. Artur nunca pensou que a historia viesse a ter o desfecho que vamos contar. Esse senhor Belga de nome RV, mais tarde contacta Artur e diz que está a chegar a Portugal e traz numa pequena caixa de alumínio um pombo que lhe foi aconselhado pela Real Federação belga a comprar a um amador de confiança e que está consigo e lho quer entregar. Para sua surpresa vinha um macho lindo. Essa caixinha ainda esta guardada no seu pombal,  traz  enormes e boas recordações.

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Decorria o ano de 1983 quando saiu da celebre caixinha, vindo da Bélgica, um lindo exemplar de Pombo Correio. Acabou por não ser uma oferta, como Artur pensava, pagou em moeda Portuguesa 5000 escudos, uma pequena fortuna na altura, mas quando o tirou da caixa era um pedrado de guia branca lindíssimo, um pombo que contava apenas com classificações modestas na sua carreira, mas a sua entrada no Pombal também foi determinante, foi acasalado com uma meia irmã da negra,  que era a mãe dos “Castros”, já la vamos aos “Castros”: eram dois irmãos de ninho, chegou a fazer 1º e 2º com esses dois pombos, chegavam quase sempre juntos, e ficaram assim baptizados porque foi mesmo na altura que os gémeos Castro andavam a dar cartas no atletismo. Mas voltamos ao pedrado de guia branca, o Belga, foi acasalado com uma meia irmã da negra e tirou 4 borrachos, um foi oferecido ao grilo e ficaram 3 no pombal, estes pombos começaram a ser conhecidos por “Submarinos”, porque os borrachos quando tomavam banho punham se debaixo de agua e não saiam dai. Num concurso são encestados os 4 borrachos, os 3 do pombal e o do Grilo, chovia a “cantaros”, nessa prova marcam os 4 irmãos. Foram bons voadores, mas a melhor submarina foi uma fêmea de 1984.

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Nasceram 4 pombos Olímpicos nesta casa. O primeiro foi a “Pescadora”, em 1992 era filha de um macho vermelho irmão da negra, também ele filho de vermelho das Caldas e de uma filha do casal velho de 1967, cruzado com uma “submarina”, ou seja os pais eram primos.

O segundo Pombo a representar Portugal 1995 na Holanda, foi um neto do  vermelho das Caldas. O vermelho os últimos filhos que tirou foi em 1991, e nessa altura ao ir ao pombal do Moita, gostou muito dum borracho que lá estava, um Belga do Xico, 4 asas de 1988 que lhe foi oferecido pelo amigo, esse macho foi dado à negra velha, saiam todos negros, o macho que vai ás olimpíadas, é o “Castro” filho dele com a negra. Lá esta a grande Negra cruzava bem com dois machos diferentes.

Pombal das Fêmeas voadoras

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O terceiro pombo Olímpico foi a “Salsicha”, é filha do irmão do 2º pombo Olímpico, o Castro, acasalado com uma azul de porte pequeno dos “Submarinos”, esta pomba teve outros dois grandes irmão o 99 e o 100, no mesmo ano um foi campeão de velocidade e o outro campeão de fundo, mas a irmã foi realmente uma craque, até primeiro distrital de La moela ela ganhou.

O 4 pombo olímpico foi a “Jóia de Ouro”, era castro Puro. Dois filhos do Alverca com a azul de guia branca acasalados entre si deram uma fêmea consanguinidade que foi acasalada a um macho do Moita, “Belga do Xico”.

Pombal de Machos Voadores

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Muito deste sangue, apesar de já diluído, ainda corre nas veias dos pombos que fotografámos e apresentamos neste artigo. A titulo de exemplo alguns dos últimos anilhas de ouro, e estamos falar de campanhas muito recentes, ainda são netos do “Salsicha” de 1994, netos dos submarinos, ou seja para alem dos belgas do Xico do Moita, de um pombo Imbrecht, quase nenhuma linhagem entrou dentro destes pombos, podemos dizer com total segurança que estamos a falar de uma linhagem própria, se há alguém que se pode orgulhar de dizer que tem uma linha própria é Artur Oliveira. E sem duvida que podemos afirmar que faz parte integrante da historia da columbofilia de Lisboa e do país.

pinilha artur oliveira

Logo no seu  primeiro pombal  foi campeão distrital em 1981 e 82, altura em que as classificações eram feitas pelas médias, não era por pontos, e no mesmo pombal foi também campeão em 1985, toda a década de 70 e 80 esteve sempre no topo. Muitos prémios de relevo foram alcançados, por exemplo o troféu Leite da Silva, era um prémio em memoria de um funcionário que trabalhava na antiga Comissão de Lisboa e que muito deu à columbofilia Lisboeta, para este campeonato, contavam todas as provas de meio fundo realizadas em Espanha.  Deixamos se seguida referência a apenas alguns dos muitos  prémios ganhos ao longo da sua carreira. No Pombal actual já está há 6 anos.

Campeonato Melhor colónia

1977 – 4º             1978 – 3º

1981 – 1º             1982 – 1º

1985 – 1º             1986 – 8º

1988 – 3º             1989 – 5º

1992 – 6º             1986 – 6º            

1987 – 4º             1988 – 4º            

1989 – 4º             – 8º Melhor Pombo Nacional

1991 – 1º             1992 – 1º – 3º Melhor pombo Nacional

1999 – 3º Nacional categoria Fundo e Pombo Campeão Nacional Fundo     ( A Salsicha)

Vencedor de inúmeros campeonatos em Sacavem, anilhas de ouro prata e bronze, uma vida cheia de sucesso desportivo

4º Lugar nas olimpíadas 1993 nas Canárias na Classe Sport Fundo

Machos Voadores

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Pombal Reprodução

Apenas 12 ninhos, ainda são os casulos do pombal antigo, na altura eram 24, mas para ficarem mais espaçosos foi lhes retirado a madeira do meio

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Como dirigente a sua vida foi e é um exemplo para todos nós. Começou logo na altura em que entregava os pombos do Teodoro para concurso. Começou a mostrar interesse na organização e nas tarefas do quotidiano dentro da colectividade e os mais velhos começaram logo a ensinar lhe a ele e ao sócio de vários anos, o Oliveira, a mexer nos relógios e na papelada, só não punham o nome nas listas porque não tinham 18 anos, mas já desempenhavam as várias funções, desde a venda da anilhas etc etc. Ate ir para a tropa foi praticamente assim. Entretanto com a vinda do serviço militar, vem para presidente da colectividade de Sacavem, onde esteve muitos anos, começou a ir ás assembleias da comissão, nessa altura até que em 1984 o Morais, que também acompanhava a vida columbófila Lisboeta, foi ter com o Artur, conversaram e convidou  para os órgãos sociais da antiga Comissão. Acompanham todo essa direção, começaram a conhecer como funcionavam as coisas e entretanto sentiram que podiam fazer mais e melhor do que os elementos que estavam na direção e propõem-se  a eleições.

ninja artur oliveira

Em 1985 ganharam as eleições, tinham um grupo no qual, muitos dos elementos trabalhavam, era um grupo forte, ao ponto que conseguiram fazer 3 galeras que passados 30 anos ainda são essas que circulam no distrito de Lisboa, e muito fizeram para a dinamização e modernização dentro do distrito de Lisboa. Em 1990 acabou o seu papel no distrito, pena que uma das galeras ainda não tinham a estrutura montada. Os problemas e afazeres laborais levaram a que tivesse que sair. Nunca podemos esquecer, nem os Lisboetas podem esquecer, o seu contributo na passagem da comissão em 1985 para a actual ACD Lisboa.

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No ano de 1990, coincidindo com a saída do dirigismo distrital , onde chegou também a ser presidente da Assembleia Geral, dedicou-se à reconstrução da colectividade de Savavem, descascou todas as paredes e fez quase tudo de raiz, com apenas 3000 contos que a colectividade tinha, foi uma grande ginástica financeira para conseguir concluir tudo. Nesta altura também se inovou bastante, por exemplo Artur Oliveira iniciou com os leilões de colónias nas colectividades, criou o pagamento à cabeça de toda a campanha, acabou com a inscrição de pombos à prova, passou a ser estabelecido o numero de pombos a enviar logo no inicio da campanha etc etc.

Nesta foto pudemos observar um concurso fantástico, Oliveira & Oliveira

do 1º ao 7º… sem espinhas

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Mas que dia… em cheio, ainda houve tempo para falarmos nas dificuldades que os dirigentes tinham na altura das classificações à mão, das soltas sem telemóvel ou apoio da meteorologia, e de todas as voltas que tinham que ser dadas para não acontecerem desastres…recorda já mais recentemente, numa altura, diz Artur oliveira, já desta era moderna, com meios ao alcance dos dirigentes, recorda a pior catástrofe para Lisboa que aconteceu em 2004, todos sabiam do mau tempo, Lisboa estava em Alcoleia e foi para Ariza, nesse dia perderam se anos e anos de trabalho, não houve pombos no mesmo dia. Mas falemos de coisas alegres, ainda hoje apesar da sua luta por uma melhor condição de saúde, continua sempre a vencer primeiros prémios e campeonatos. Pessoalmente foi muito gratificante e penso que conseguimos começar a salvar um pouco da historia da columbofilia, que corria o risco de desaparecer quando esta geração se apagar. Um dos grandes objectivos, presentemente do Columbofilia Online é mesmo contar o mais possível e deixar registado toda este conjunto de historias e conhecimento que nos trouxe até aos dias de hoje. Ao terminar esta frase que agora escrevo, sinto me bem e que vale a pena muitos dos sacrifícios que temos de passar… obrigado Artur Oliveira…a columbofilia agradece a sua dedicação e amor à causa… força na sua luta. Até breve…

3 Comments on Artur Oliveira – Sacavem – Lisboa

  1. Parabéns grande senhor da columbofilia nacional.
    Atualmente há poucos.
    Um grande abraço

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  2. So uma nota , nesse Ariza dd 2004 houve alguns pombos no distrito sim e eu tive 1 pombos as 19.58…tambem houve em azambuja e loures….parabens pela entrevista e um grande abraço ao amigo Artur Oliveira pois foi um dos meus primeiros idolos na columbofilia Lisboeta .

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  3. Admirável todos estes artigos que são publicados até hoje pela” Columbofiliaonline” um enorme contributo e ajuda à nossa Columbófilia. PARABÉNS e CONTINUAÇÃO!!!

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