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Cosme Valente – Galveias

Cosme Ferreira Valente, homem  com 51 anos, columbófilo desde 2012, nesse ano concorreu só com borrachos.. Reside na pacata vila Alentejana das Galveias. Visitamos o amigo Cosme com o intuito de noticiar o facto de ter vencido nas Galveias no ano de 2016 mas rapidamente percebemos que mesmo voltando este ano a sua casa para dissiparmos e esmiuçarmos bem o fantástico ano de 2017, não podemos deixar de fazer referência desde já que a concorrência foi mesmo arrasada nesta última campanha, com fitas que dizem os seus directos adversários “quando caia um…parece que vinham agarrados…” Para quem o conhece sabe que é um homem que não gosta de perder tempo com coisas fúteis  e quando entra em algo, tem de ser de cabeça e as coisas têm de ser rapidamente agilizadas. Na columbofilia foi tal como no resto da sua vida. Quando a decisão de se iniciar na columbofilia foi tomada, procurou precisamente no panorama Nacional algumas referência e no estrangeiro pesquisou e deu se ao contacto com os donos dos pombos que estavam a fazer a diferença, alguns desconhecidos do grande publico e outros mais mediáticos. Constituiu o seu quadro de reprodutores com pombos muito próximos da fonte e iniciou o processo de teste e selecção. Actualmente com a vida mais estabilizada conseguiu dar algum tempo aos pombos e os resultados dispararam. Caros leitores deixamos vos na integra a entrevista que realizamos…entre connosco nesta historia que temos para contar…

Vista Exterior dos Pombais de Competição

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CO – Como foi esse percurso até aos dias de hoje?

CV – Ao contrario da maioria dos columbofilos, não nasci columbófilo nem na minha família existiu antes algum columbófilo, por influencia de um amigo em 1986 com 20 anos concursei pela primeira vez, no ano seguinte já não fiz a campanha toda e acabei com os pombos, mas mantive-me sócio da S.C. de Galveias, mais tarde viria a ser comerciante e dava um patrocínio à SCG, era então convidado para estar presente nas entregas de prémios e nos leilões da colectividade. No dia 1 de maio de 2001 estive presente pela primeira vez num evento da SCG, foi no leilão, fantástico por sinal, 40 borrachos renderam mais de 4000 euros!Entusiasmei-me e comprei também 3 borrachos, como ainda não tinha pombal ofereci-os a um amigo, mas…no dia seguinte dei inicio à construção do pombal e assim recomecei nesta actividade fantástica.

IMG_0971CO – Quais os primeiros pombos com os quais começou a concorrer?

CV – Foram alguns borrachos que comprei a João Pedro de Torres Novas, Zé Latas e José Claudino. E outros tantos oferecidos pelos columbofilos locais, mais alguns filhos de 3 fêmeas oferecidas pelo Rui e Paulo Rodrigues da Supra cruzadas com 3 machos emprestados pelo Zé Latas, assim como filhos de casais que adquiri a José Claudino. Júlio Albuquerque e Rui &Paulo Rodrigues que me ofereceram também um macho original Van Loon neto do melhor casal Van Loon e me disseram: “Quando disser aos seus amigos que tem um original Van Loon, eles nem vão acreditar”Eu nem fazia ideia(ainda) o que era um Van Loon, mas já sonhava com um super-reprodutor como este pombo se veio a revelar.

Interior do Pombal da fêmeas adultas

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CO – Como foi a evolução da entrada de novos sangues ao longo dos anos?

CV – Em 2004 numa visita à Supra conheço o meu amigo Paulo Franco de quem venho a adquirir alguns pombos da linha do 50, 19 e da 10, Manuel Parelho de Ponte de Sôr é outro amigo que fiz na columbofilia e a par de Paulo Franco são os companheiros das visitas ás exposições e a leilões das colectividades, este amigo acha sempre que tem pombos em excesso e um dia disse-me “escolha e leve os que quiser” escolhi 2 fêmeas uma Janssen e uma Gaby, antes já me tinha oferecido uma Arminda a sua super craque anilha de prata de fundo.O primeiro casal que veio da Supra foi tão bom que um dia fui lá e só não adquiri todos os Bastiann Marteijn porque me ofereceram alguns, não podia aceitar, depois de tirar 2 pares de ovos devolvi-os. Já este ano depois de terminada a campanha fui de novo “autorizado” pelos meus amigos Rui&Paulo a adquirir pombos no seu pombal, vieram mais 3 Van Loon e mais 2 extra um Gaby e um neto do 231 Engel´s.

Linha Júlio Albuquerque X Gaby Velha (Pomba Base)

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Em 2006 o saudoso e grande amigo Júlio Albuquerque oferece-me a sua melhor reprodutora a “8816-04” com sangue Catrisse x De Smet Mathys x Puterie, em 2007 na venda total do amigo Zé Latas adquiri o seu melhor reprodutor de sempre, um Gilmont x Belga do Xico, em 2012 aquiri um original Harm Vredeveld em 2014 um neto e bisneto do Olimpyade de Leo Heremans. Em 2015 e 2016 adquiri os melhores pombos dos irmãos Veríssimo&Pedro a “Barcelona” vencedora do Nacional-zona de Barcelona e 2ª constatada a nível nacional 1ª na distancia de mais de 800km e os seus dois filhos, dois super-craques a voar, o “Soses” 1º Distrital Portalegre e Évora(solta conjunta para ambos os distritos) de Soses 750 km e o “519” vencedor de 3 x 1 ºe 1 x 2º em 2015, vencedor da anilha de ouro de grande-fundo distrital. A Barcelona é filha de um Vanderespt x Maurice Matthews e Saphir x Espirlo, o pai dos machos é um original Paulo Franco, voado por João Machado de Fronteira e anilha de ouro de fundo em Avis.A fêmea do primeiro casal que veio da Supra tinha sangue Gaby, ganhei 1ºs com filhos de machos diferentes, por via disso adquiri de um columbófilo belga um casal de puros Gaby Vandenabeele.

Frente da secção dos Machos adultos

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CO – quais as linhas principais de pombos que têm feito a diferença no seu pombal

CV – De Rui&Paulo Rodrigues, Supra, Maceira-Leiria : VanLoon,Staf Theeuwes,Jos Thoné, Bastian Martjein e super “017-94” o macho do primeiro casal.

Paulo Franco, Campo Maior: “50” 10″ e “19”.

Julio Albuquerque, Runa-Torres Vedras:Puterie, Busshaert, Gaby e Flôr Engel´s.

José Claudino, Évora: Simon

Manuel Parelho, Ponte de Sôr: Janssen, Gaby e Arminda.

Harm Vredeveld, linha Janssen

Gaby Vandenabeele importados de um columbófilo Belga que cultiva a linha.

CO – Actualmente alguns sangue dos primeiros pombos que possuiu ainda corre nas veias dos actuais atletas?

Sim, os de Rui&Paulo, Paulo Franco, Júlio Albuquerque e José Claudino estão desde o inicio.

Interior do Pombal de Machos adultos

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CO – Quais os principais voadores que teve até hoje, quais os craques e sua origem?

CV – Os principais voadores foram a: 496-02 Van Loon x Van Loon, Vicky130-01 – 017 X Bastiann, 286-06 Bastiaan x Simon-Gaby, 486-04 Simon x Puterie, 860-05 – 50 Paulo Franco x Bastian, 218-07 Staf x Bastiaan, Julio – Belga do Xico x 8816-04, 767-04 – Gaby x Gaby,758_04- 19 Paulo FrancoxBusshaert, 259-12 e 423-10 ambos filhos do 486-04 x E.Gaby uma Engel´s-Gaby, Lilás de 2001 Zé latas linha Van Reet, estes foram os grandes craques que tive nos primeiros anos, á excepção dos que se perderam, todos foram e são ainda grandes reprodutores, caso do Julio x 286-06 que são os pais do 551-15 15º Nacional Valência.

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Actualmente falar de craques não é fácil…em 2015/16/17 disputei 52 provas, ganhei 23 x 1º e com a equipa dos borrachos 2 x 1º o que faz o total de 25 x 1º, todos os meus adversários em conjunto venceram 27… isto com 20  pombos diferentes.

Um dos craque na mão…

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CO – E os grandes reprodutores que fizeram de si campeão?

Falar de reprodutores é ainda mais difícil, raramente perco um craque, quando são superes guardo-os para a reprodução, por vezes há borrachos que nem os aduzo, mesmo quando os pais são ainda novos, um super voador pode ganhar muitos prémios, mas um super reprodutor pode dar muitos pombos bons…sem falsa modéstia posso afirmar que sinto um certo orgulho e um gosto enorme por ter feito todos os casais que possuo, à excepção de dois os : 017-94 x Bastiaan e o casal Velho Gaby, perdi durante muitos anos os campeonatos, mas sempre ganhei muitos 1ºs, num ano ganhei 4 concursos consecutivos de fundo e ainda assim perdi o campeonato, “furei” no primeiro fundo, uma prova muito rápida, sempre soube o que estava a fazer e, nunca tive duvidas do que ia conseguir e sempre o afirmei, fiz um trabalho de fundo, seleccionei, seleccionei, seleccionei…

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De uma exposição nacional trouxe uma revista, tinha lá os pombos do Vredeveld, disse para mim “quero um pombo destes, vai melhorar ainda mais os Van Loon e os Janssen” a 633-13 é anilha de prata de meio-fundo em 2016 e anilha prata velocidade 2017 é filha do Vredeveld x Janssen Parelho , a 722-14 é anilha de prata meio-fundo 2017 é filha Vredeveld x Van Loon Supra x 10 Paulo Franco, este ano de Talavera ganho 1º com a 633-13, 2º com a 766-14 Vredeveld x Van Loon-Pinta e 3º com uma neta do Vredeveld.

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Entre outras classificações a 633-13 tem 1º, 2º, 4º,9º, 9º,10º. a 722-14 tem 1º, 1º, 1º, 2º, 2º, 3º,4º,6º, 6º, 6º…A 031-15 é filha : 643-12 Gaby x Gaby com 379-12 – 50 Paulo Franco x Filha Dikke Bertha Jos Tonhé e ganhou em 2017:1º, 1º, 2º, 6º, 8º,…O 789-14 fez 2º de Igualada em 2017, 840 km é neto do casal Gaby e do casal 017-94 x Bastiaan, o primeiro casal que tive.

 

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CO – Quais os principais títulos ganhos até ao momento?

CV – Já ganhei todos os campeonatos, mas o de meio-fundo em 2016 e todos os de 2017 têm um sabor especial, são o fruto de um trabalho de anos e, pela primeira vez o campeão de Galveias vence ao campeão de Ponte de Sôr, no caso em 2017 todos os campeonatos, se competissem juntas as duas colectividades, como defendo, teríamos um clube com 30 concorrentes.

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CO – Deixo este paragrafo para poder fazer alguns agradecimentos.

CV – Desde já agradeço ao columbofilia online na pessoa de Hélder Galveia esta oportunidade de dar a conhecer o trabalho que realizei, muito obrigado!Estou muito agradecido a todos os meus grandes amigos que me cederam pombos de grande categoria e com quem aprendi bastante, o saudoso Sr. Albuquerque, José Claudino, Zé Latas, Manuel Parelho, os irmãos Rui Rodrigues e Paulo Rodrigues e Paulo Franco.Um agradecimento especial também para a minha família que sempre me apoiaram.

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Para terminar em 2002 tive um caso de paramixo João Caldeira do Crato visitou-me nessa altura porque eu sabia onde havia madeira para construir o pombal, de imediato se disponibilizou para me oferecer uma borrachada, não podia aceitar, ainda assim vieram 4 borrachos, vinham já muito crescidos e extraviaram-se todos, um deles acabou em reprodutor na casa de uns amigos Matias&Titico e 2 filhas desse macho ganharam 3 x 1º de fundo no mesmo ano, um obrigado por esse gesto do amigo Caldeira.

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CO – Decorre uma altura especial no país columbófilo, como vê este ano de eleições em quase todas as associação e na federação?

CV – Fico contente com as mudanças e com o interesse de pessoas diferentes fazerem coisas diferentes pela columbofilia, por exemplo Lisboa, não conhecia os anteriores directores, nem conheço os actuais, mas penso que um grande campeão como é João Morais só pode trazer grandes benefícios para a columbofilia. Que apareçam e saiam vencedores das eleições pessoas ganhadoras, que tragam esse espírito para a columbofilia e não sejam travados pelos vencedores de “campeonatos de rua”.

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CO – O que acha que poderia ser feito para valorizar o pombo e o columbófilo Português?

CV – Limitar o recenseamento foi um grande passo, os Valências Nacionais vieram trazer grande visibilidade para a columbofilia nacional e “verdade” também, os Valências são a prova de como a localização do pombal e a distancia a percorrer contam e muito na hora da vitoria, é a geografia que temos, há uma coisa também que não tenho duvidas, os vencedores de Valência em qualquer posição geográfica continuariam a discutir a vitoria. Se todos voassem as mesmas distâncias e sabemos que isso é impossível, mas se fosse, os vencedores seriam os mesmos. Sou adepto ferrenho de grandes e fortes clubes, gosto de competir com os mais fortes, só assim se evolui, tenho muita pena quando alguém abandona a columbofilia, gostava que fossemos muitos mais, mas…é lamentável que na era da informação a educação esteja a baixar, lamento dizer isto, mas a verdade é que anda gente a mais na columbofilia…A columbofilia actual não é para mim, tenho e selecciono pombos com o sonho de competir em campeonatos regionais contra os melhores columbofilos de uma zona, num clube com gente que goste de ganhar e de tratar bem os pombos e respeite todos. Sonho em competir num campeonato com umas 12 provas de fundo regionais.

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CO – Para terminar fale nos um pouco da sua forma de tratar os pombos nas 3 principais fases do ano,: pré campanha, Campanha e muda

CV – Por vezes os meus pombos bebem água limpa e comem ração simples 😊Um dos grandes segredos da columbofilia é entender os pombos bons, esses estão sempre certos, temos de os saber “ouvir” só me tornei campeão quando descobri que os pombos sabem muito mais do que nós.

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Caros leitores…avisamos que ia entrar numa leitura que o prenderia… expectativas defraudadas? Nem de perto…nem de longe… falámos com um homem de vontades e directo no que tem a dizer. Columbófilo com alguns anos de experiência, com uma colónia forte e com uma base de sustentação que permite concorrer a um patamar até mais elevado e quem sabe mesmo munir ou fornecer matéria prima para elevar o nível de outras colónias. O investimento em termos de “Sangue” foi forte, tal como o investimento intelectual, e o investimento na aquisição de destreza de maneio e agora com os resultados já a aparecerem de forma sustentada, é continuar o bom caminho que tem sido feito. Parabéns pelos resultados e força para continuar na luta. Até breve

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