Portugal Campeão do Mundo de Columbofilia 2018

Adenovirose – Sessão de esclarecimento na ACD Setúbal com o Dr. José Luís

No dia 20 de Setembro às 22.00, uma quarta Feira, decorreu nas instalações da Sede da colectividade do Montijo, junto à sede da ACD Setúbal, uma sessão de esclarecimento sobre como detectar os primeiros sintomas da Adenovirose, conhecida como a doença dos borrachos, como actuar perante tal enfermidade, identificar quais os tipos de adenovirose … uma acção dirigida a quem já teve a doença nos seus pombos, que tem agora, quem nunca teve, mas poderá vir a ter no futuro. As portas foram abertas a todos.

IMG_9807

Obrigado desde já ao veterinário da Federação Portuguesa de Columbofilia que se disponibilizou para esse efeito, à Sociedade do Montijo que disponibilizou as instalações para o efeito  e a todos os participantes, que estiveram presentes. Inicialmente o ambiente estava um pouco frio, mas rapidamente os intervenientes se soltaram e foi uma noite muito agradável e proveitosa para todos. No final da sessão ainda houve possibilidade do publico fazer algumas questões e mais algumas trocas de ideias já de forma particular, nomeadamente com columbofilos com situações de adenovirus mais criticas por resolver actualmente no seu pombal.

Prof. Hélder Galveia, Dr. José Luís Duarte, Prof. Vítor Costa

mesa da adenovirose

Por vezes as coisas mais simples resultam muito bem. A ACDSetúbal convidou o Dr. José Luís, veterinário oficial da FPC a estar presente  em virtude de ter surgido um sentimento de preocupação quanto a alguns columbofilos do distrito que estavam a tentar ultrapassar a entrada da Adenovirose nos seus pombais.  O convite foi aceite de imediato, passado uns dias tudo estava organizado, as colectividades contactadas que por sua vez fizeram um trabalho excelente contactando a maioria dos seus associados e de repente a bola de neve cresceu e houve casa cheia. Todos manifestaram o seu agrado pelo resultado final e por todas as explicações dadas pelo amigo José Luís.

IMG_9806

É pena acções como esta não serem mais assíduas e espalhadas um pouco por todo o país. Sentimos que muitos columbófilos estavam um pouco confusos e sem saber muito bem como resolver a questão do adenovirus dentro das suas instalações. Quem esteve presente saiu ciente que o tempo foi bem empregue e esclarecido quanto a sintomas, prevenção, tratamento etc. Para os que não puderam estar presentes, deixamos um artigo retirado do site: “Pombos online” gerido pela equipa Sol Nascente, que é também ele elucidativo e poderá ajudar columbofilos de norte a sul do País no caso de aparecimento desta enfermidade. Esperamos ajudar.

IMG_9808

Dr. De Werd diz-nos: “que esta doença é provocada principalmente por um vírus da família Adenoviridae.

             Soube-se com o isolamento do vírus na Universidade de Gant (Bélgica), que numa primeira fase este vírus, ao qual se denominou Adeno-Coli Tipo1, afectava quase exclusivamente borrachos e que no seu país sobretudo aparecia nos pombais que concursavam com borrachos de forma mais exigente.

             Numa primeira fase esta doença era totalmente desconhecida, pelo que os profissionais sanitários, perante as solicitações dos columbófilos, viam-se IMPOTENTES e desolados pelos estragos que a doença fazia nas colónias.

             Nestes primeiros casos, observava-se uma intensa diarreia, um grande aumento do consumo de agua, alguns indivíduos apresentavam uma acumulação de liquido no papo que saia ao agarra-los e uma percentagem de 15-35% acabavam com morte súbita num curto período de tempo, 1-3 dias.

             Além do isolamento do vírus se observou, de forma quase constante, que nos animais doentes se isolava igualmente e de uma forma mais fácil E.coli patogénico e é por isso que existem muitos que denominam a doença como ADENO_COLI.

             O Dr. De Werd que segundo o seu ponto de vista era uma doença multifactorial e que além de estes dois agentes ele considerava que uma vez instalada a doença, outras doenças secundárias, como a micoplasmose, estreptococos, estafilococos e incluso o herpes vírus que estavam latentes nos pombos poderiam surgir.

             Pensou-se que esta doença podia ter surgido, como consequência do uso frequente nos países baixos de corticoides para atrasar ou paralisar a muda nos borrachos por causa dos concursos. O uso destas substâncias tem como um dos muitos efeitos secundários a inibição do Sistema Imunitário, o que junto a pouca idade dos animais que padeciam (portanto sistema imunitário pouco desenvolvido), implicava que eram os CANDIDATOS IDEAIS para a doença.

             Com o decurso da doença apreciou-se que era difícil atenuar os efeitos que a mesma causava, mas ao fim de um período a volta de 40-60 dias os efeitos atenuavam no entanto depois de ter causado baixas por perdas e mortes dos animais jovens.

             Mas tarde, 1-2 anos depois, apreciou-se que os mesmos sintomas apresentavam-se nos animais adultos (já não era uma doença exclusiva dos borrachos) e de forma muito acentuada em fêmeas próximas de efectuar a postura.

             Os sintomas eram idênticos aos dos borrachos, diarreias muito aquosas, isolamento de outras doenças secundárias, transtornos respiratórios e como novo sintoma,  dificuldade na postura e inclusive morte súbita no  ninho.

            Isolou-se novamente outro vírus com ligeiras diferenças em relação ao primeiro e denominou-se Adeno-Coli Tipo 2. Neste caso aparecia importantes alterações no tecido do fígado e esta variante podia afectar tanto exemplares adultos como jovens.

             Uns 2-3 anos depois deste encontro e apareceram os primeiros casos em Espanha, tendo em conta os sintomas que apresentavam, a sua cronologia e análise podia-se afirmar que a doença já estava presente (muito provavelmente como consequência a perda dos pombos portadores da doença).

             Num primeiro momento pensou-se que podia ser uma variante da Paramixovirose com maior afectação digestiva, mas as análises clarificaram que se tratava de adenovírus (em algumas ocasiões os laboratórios diagnosticaram herpes vírus muito provavelmente por confusão) e numa alta percentagem dos casos também se isolava E.coli patogénico. Numa ou outra ocasião também se diagnosticaram micoplasmas.

 Resumindo:

 A adenovirose é uma doença originada por um vírus da família Adenoviridae.

 Muitos autores denominam ADENO-COLI pela associação de ambos os agentes (Adenovírus e E.Coli) aos quais se pode juntar de forma secundária micoplasmas, estafilococos, estreptococos, herpes vírus, …

 Existem 2 tipos:

                        Tipo 1 : afecta quase exclusivamente animais jovens.

                        Tipo 2 : afecta tanto adultos como jovens.

IMG_9809

Os principais sintomas são:

  • Mal estar geral
  • Diarreia Aquosa (consequência das lesões que provoca o virus nas paredes intestinais), que origina um grande aumento no consumo de agua.
  • Acumulação de água no papo que ao agarrar os animais sai para o exterior, acompanhado de vómitos muito frequentes que facilitam a propagação da doença.
  • Imobilidade dos animais afectados, perda de apetite e em algumas ocasiões morte súbita em 1-3 dias.
  • No Tipo 2 e nas fêmeas em cria, dificuldades na postura e m
  • Diarreia Aquosa (consequência das lesões que provoca o virus nas paredes intestinais), que origina um grande aumento no consumo de agua.
  • Acumulação de água no papo que ao agarrar os animais sai para o exterior, acompanhado de vómitos muito frequentes que facilitam a propagação da doença.
  • Imobilidade dos animais afectados, perda de apetite e em algumas ocasiões morte súbita em 1-3 dias.
  • No Tipo 2 e nas fêmeas em cria, dificuldades na postura e morte súbita inclusivamente no ninho.
  • Emagrecimento progressivo por causa da diarreia intensa e por falta de apetite.
  • Lesões no fígado e presença de outros agentes secundários (colibacilos, micoplasmas,…), principalmente no Tipo 2.

Prevenção:

Isolamento dos animais que se introduzem de outros pombais.

            Isolamento de animais que apresentem sintomas da doença.

            Desinfecções periódicas do pombal.

 Tratamento:

            Não existem vacinas eficazes a 100% lamentavelmente.

             Realizar sobe orientação de sanitários, tratamentos para tratar possíveis doenças secundárias que surjam. O uso INDISCRIMINADO E SEM CRITÉRIO de medicamentos aumentam os danos.

             Uso de electrólitos e vitaminas que melhoram a hidratação e estado geral assim com estimulam o sistema imunitário.

 Comprovou-se que o emprego de ácidos na água poderá travar a expansão e disseminação do vírus (baixa o PH da agua) ex. ácido acético=vinagre, mas o abuso do mesmo em animais jovens tem efeitos prejudiciais.

 Também é aconselhável o emprego de lactobacillus que faz uma acidificação similar, com menos efeitos secundários.

 Outros autores dizem que o adequado emprego de chá de cortiça de salgueiro (pelo seu contido em acido acetil salicilico), assim como protectores hepáticos.

 Emprego de desinfectantes no pombal, ex. Virkon.

 Dieta variada e com alto teor em fibra para compensar ligeiramente a diarreia.

 A recuperação total da doença, nos casos de forte afectação do fígado, é lenta mas em muitas ocasiões os pombos que a superam servem perfeitamente para seguir concursando e criando.

Caros leitores, esperamos ter contribuído para esclarecer os columbófilos quanto ao Adenovirus. Este também é o nosso papel… ajudar… Obrigado por acompanhar o nosso trabalho.

4 Comments on Adenovirose – Sessão de esclarecimento na ACD Setúbal com o Dr. José Luís

  1. José Manuel de Almeida Bernardo Bernardo // 27 27UTC Setembro 27UTC 2017 às 11:19 // Responder

    Pois…… mas não existe tratamento !!!! Hummmm algo vai mal na modalidade , então os laboratórios como a Chevitta por exemplo andam a enganar os columbofilos

    Gostar

  2. lendo todo texto com muita atenção e vendo todas as fotos, apraz me dizer que uma sessão destas feita pela ACD SETÚBAL e muito bem, apenas tenha na sala 20 ou 30 pessoas quer dizer falta de interesse dos Columbófilos em que preferem fazer tratamentos ás escuras, mas por outro lado quais foram as conclusões finais feitas pelo Dr José LUIS da qual respeito com toda a amizade foi zero? para chegar á conclusão de que não será NEWCASTLE nem ADENOVIROSE já eu venho dizendo á longos anos basta ler os meus artigos, mas como existe grandes interesses comerciais continua-se a dizer que sim que será uma Adenovirose, mas na realidade será uma ADENO COLI, e para minimizar os prejuízos iniciais e recuperar os pombos deve-se aplicar no imediato FARINHA de AVEIA ou FARINHA de ALFARROBA e aqui sim será um bom principio e depois aconselhar-se com quem sabe e percebe da matéria isto sem entrar em pormenores por agora chega, cumprimentos todos columbófilos, Alexandre Pedro.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: